terça-feira, abril 10, 2012

O fim do euro?

Ao que parece, os esperados objectivos de diminuição da pressão sobre os juros da dívida e criação de crédito às empresas, da extraordinária “prenda de Natal” que o BCE ofertou à banca europeia em 21 de Dezembro passado, de 529.531 milhões de euros a 523 bancos a juros de 1% a três anos, acrescentando a 29 de Fevereiro uma nova oferta de 489.200 milhões a 800 bancos, com iguais tão apetecíveis condições, por incrível que possa parecer, ter-se-ão já esfumado.
Na verdade, os juros da dívida pública europeia, continuando as subidas da passada semana, subiram hoje desabridamente, chegando os juros da dívida a 10 anos, da Espanha, aos 6%. É um valor insuportável, que faz prever o pior dos cenários.
O que é espantoso, é que uma intervenção de mais de um bilião de euros do BCE, pouca ou nenhuma significativa influencia tenha tido na escalada das dívidas, apenas a atrasando por alguns dias.
O pior dos cenários aproxima-se. A hecatombe do euro está próxima.

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sexta-feira, abril 06, 2012

A espiral da morte


Muito longe de terminar, a crise europeia está ainda na sua fase inicial, aprofundando-se, ampliando-se e agravando-se a cada dia que passa. ¿Quanto durou o efeito do BCE com o brinde de um bilião de euros à banca? Nem quinze dias. A “prima de risco” não deixou de aumentar e ontem chegou aos 410 pontos, enquanto os juros da dívida subiram a 5,8% (Espanha), o nível mais alto desde Novembro, antes mesmo da aplicação dos planos de Mario Daghi.
E, nesta desgraça Espanha não está só. Ontem também aumentou a “prima de risco” de Itália, França, Grécia e Portugal, entre outros. A de França escalou a 123 pontos, de Itália a 378, a de Portugal a 1.050 e a de Grécia a 2.040 pontos, dando mostras de una situação insustentável e da obscura década que aguarda os países encaixotados no euro. Porque no fim de contas é o euro o grande problema destes países ante a impossibilidade de desvalorização das suas moedas. Isto levou a Espanha a ingressar na espiral da morte, esse círculo autodestrutivo que provoca a recessão e a austeridade.
(Ler em Blog Salmón)

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segunda-feira, fevereiro 06, 2012

O BCE e a dívida pública



Deixem-me emitir e controlar o dinheiro de um país e não me importa quem faz as leis
Mayer Amschel Rothschild, 1790

Com a entrada de Portugal no euro, o país perdeu, pela primeira vez desde a sua fundação em 1.143, a capacidade de criar moeda. A soberania monetária foi transmitida a uma nova instituição da União Europeia, o BCE.
Portugal entregou de mão beijada a sua independência financeira e económica a uma entidade, o banco Centra Europeu (BCE), governada por tecnocratas, oriundos das instituições financeiras privadas e naturalmente defensores dos seus interesses. Portugal abdicou assim, do mais importante mecanismo de controlo da sua independência financeira e económica. Quem dispõe da capacidade de criar dinheiro possui também a capacidade de saldar as suas dívidas públicas, contraídas para saldar défices ocasionais. Os Estados Unidos, por exemplo, possuem uma dívida pública astronómica, mas jamais se tornarão insolventes uma vez que a reserva federal criará todo o dinheiro indispensável aos pagamentos dessa dívida.
De algum modo, essa incapacidade dos países da união monetária de criarem moeda poderia ser atenuada se, o novo organismo supranacional criado, o BCE, se substituísse aos países na emissão de moeda e pagamento das dívidas soberanas de cada país. Não foi esta contudo a arquitectura engendrada pela UE ao proibir a emissão de moeda para o financiamento das dívidas públicas ou garantir os seus pagamentos, mesmo em caso de emergência. Os países ficaram assim totalmente desprotegidos, de mãos atadas, ao sabor da especulação dos mercados financeiros. É este o actual papel do BCE, favorecer e incitar objectivamente as instituições financeiras, as oligarquias financeiras, a especular com as dívidas soberanas dos países da união monetária que deriva da imposição do financiamento do BCE, incluindo o realizado com a criação de nova moeda, só poder ser destinado à banca privada, a juros de 1%, para que esta por sua vez, através dos mercados, compre dívidas soberanas a juros muitíssimo superiores.
A transferência de poder financeiro para o BCE que se deu com a criação da moeda única, significou na prática, um autêntico golpe financeiro, pelo qual um poder fundamental do estado, a criação de dinheiro como activo de reserva e garantia de dívidas, foi transferido às elites financeiras multinacionais, à margem dos governos democraticamente eleitos. Um poder que deveria ser utilizado para defender interesses sociais foi deste modo privatizado e colocado ao serviço de interesses privados.
(texto adaptado de “A chantagem da dívida na Europa” de Jesús Rodríguez Barrio, em Jaqueal Neoliberalismo)

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sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Salvar os bancos, arruinar a economia


Josetxo Ezcurra
O BCE, a UE, o Merkozil encontram-se obcecados com um único propósito - o resgate e o fortalecimento do sistema financeiro. Para eles, tudo deve ser sacrificado a este superior desígnio. Os rendimentos das populações, os salários e as pensões, os direitos sociais adquiridos ao longo das últimas décadas, a economia real e até, pasme-se, a própria vigência democrática, como são os casos da Grécia e da Itália em que a governação democrática foi substituída por comissários do sistema financeiro.
Depois dos 489 mil milhões de euros o BCE prontifica-se a oferecer-lhes mais um bilião de euros. Ao mesmo tempo, a troika exige aos países a mais severa austeridade sacrificando as populações e debilitando a economia real. Oferece-lhes todo o dinheiro que desejarem, a um juro de 1% e sem a imposição de quaisquer condições que garantam a fluidez de crédito às empresas produtivas. No que resulta a paralisação da actividade produtiva como agora se verifica. As oligarquias financeiras preferem utilizar tais recursos em operações mais lucrativas – no negócio altamente rentável das dívidas soberanas.
Se recuarmos até 2007 observamos que não existia então o problema das dívidas soberanas que agora infernizam os países. A dívida pública de Portugal mantinha-se na casa dos 60% (68,2%) o mesmo acontecendo com a Espanha (36,2), a Irlanda (24,8%), com uma média europeia (UE25) em 59,6%. Em 2010, a dívida pública portuguesa saltou para (93,3%), o mesmo acontecendo com os outros países, 61,0%, 92,5% e 80,8% respectivamente. Existia contudo em 2007, uma profunda crise nas instituições financeiras. A opção da UE, tomada pelos seus líderes em reuniões de emergência, foi a de lançar operações de salvamento e resgate das instituições financeiras à custa dos orçamentos nacionais dos países da união europeia. A dívida pública contraída desde então com este propósito, acabou por colocar os países em situações de insustentabilidade orçamental como é caso de Portugal, da Grécia, da Irlanda e mesmo da Espanha e da Itália. Os títulos da dívida pública emitidos pelos países para resgatar os bancos não deveriam ser considerados como “dívida pública” mas como um empréstimo a ser pago pela banca e não pela população.
À custa dos sacrifícios da sociedade, reforçou-se o poder dos banqueiros e das instituições financeiras, ao ponto de serem elas próprios, pasme-se, a imporem condições aos paíse para a “saída” da crise.

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terça-feira, março 29, 2011

responsáveis únicos


Foram Sócrates e Teixeira dos Santos que entregaram Portugal na mão dos mercados. Não apenas porque elevaram drasticamente a dívida pública, passou de 58,3% do PIB em 2004 para 0s 91% actuais (não contando com a dívida pública indirecta que, se considerada, eleva para cerca de 125% do PIB a dívida pública total), mas por alterarem e adoptarem novas políticas para a gestão da dívida pública. Na verdade, a opção de colocar a dívida pública nos mercados e assim sujeitar os seus juros à especulação da Bolsa, à especulação dos mercados, bem como a de a entregar preferencialmente a credores internacionais, só a eles se deve.

Em 2004, mais de metade da dívida pública encontrava-se nas mãos de nacionais, ao contrário de 2010, em que os nacionais detém apenas 15%. Foram eles e só eles, que criaram a nova legislação que permitiu uma tal transformação na gestão da dívida pública. São eles os únicos responsáveis e como tal devem ser julgados.

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quinta-feira, fevereiro 10, 2011

A UE atrasa resgate


A UE, através do BCE, atrasa por mais algum tempo o resgate de Portugal, comprando dívida pública quando no mercado a dívida pública a dez anos atingia hoje o seu máximo histórico de 7,63%.
Ao que parece, a UE está empenhada em atrasar o resgate do país até à cimeira europeia, prevista para o próximo dia 11 de Março.
Até lá, prevê-se que o BCE irá diminuindo as tensões através de compras pontuais.

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quarta-feira, janeiro 12, 2011

Juros insuportáveis


Não se compreende a satisfação conjunta de Teixeira dos Santos, do Governo, dos candidatos presidenciais Manuel Alegre, Cavaco Silva, Defensor Moura, Fernando Nobre, “politólogos” e economistas do sistema, pela colocação da Dívida Pública a 10 anos (599 milhões) a um juro de 6,716% (?) e a 4 anos (650 milhões) com um juro de 5,396% (?). Trata-se de juros altíssimos e insuportáveis. Ainda não há mais de 8 meses aqueles juros era 4,8% e 3,7% respectivamente. Para não falar já dos juros de 4,2% e 3,1% em 2009. Tanto mais que o financiamento de dívida pública, assegurado pelo Fundo de Estabilização Financeira da UE, obriga a um juro a 10 anos de 5%, inferior ao agora obtido, num pacote que pode ir até aos 100 mil milhões de euros.

O “sucesso” da operação resultou, ao que nos dizem, no simples facto de existem ainda “investidores” capazes de comprar a dívida portuguesa. Omitem em seus juízos o juro faraónico a que obrigam o estado português, referenciando tão só, a constatação da existência de compradores. Desgraçado do país em que os seus governantes se contentam com tão pouco.

A governantes que estão habituados a empurrarem os problemas, os custos, os pagamentos, para tempos futuros e gerações vindouras, assim é com as dívidas das Scuts, das parcerias Público/Privadas, dos TGVs, etc, não será de estranhar que, também aqui, mantenham o mesmo irresponsável comportamento.

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terça-feira, novembro 09, 2010

O FMI e a Dívida Pública


Políticos, banqueiros, politólogos e outros “analistas” repetem-se nas suas considerações sobre a Dívida Pública e o FMI fazendo crer que, a continuarem a subir os juros da dívida pública, a entrada do FMI em Portugal será a única alternativa para “salvar” o país da crise. Agravando deste modo drasticamente as já severas medidas de austeridade inscritas no orçamento de estado para 2010, recentemente aprovado pelo PS e PSD. Mas, um mal menor no seu entender. Não tendo o governo “coragem” (condições políticas) para impor tais medidas, necessário se torna recorrer ao FMI. Na verdade, quem determina a entrada do FMI em Portugal é ele próprio. A data e a hora da sua intervenção, será por si e só por si determinada.
A decisão da entrada do FMI será tomada quando, e só quando ele próprio concluir que o capital dos credores de Portugal, as oligarquias financeiras que compraram a dívida pública portuguesa, está deveras ameaçado, que Portugal não tem dinheiro para assegurar o pagamento das dívidas que contraiu. O FMI não vem assim para “ajudar” o país, mas muito simplesmente para garantir o retorno financeiro dos credores internacionais a quem o governo de Sócrates entregou a dívida pública nacional. Pouco lhe importa que as medidas de austeridade provoquem uma recessão económica ou que se agravem as condições de vida dos portugueses. Pelo contrário, ele procurará fazer tão só uma operação financeira, retirando rendimentos aos cidadãos portugueses para o entregar aos credores internacionais.
O governo de Sócrates é o único responsável pela infeliz situação em que o país se encontra. O drástico agravamento da Dívida Pública e a opção de a entregar a credores internacionais só a si se devem. Na verdade, em 2004, mais de metade da dívida pública encontrava-se em mãos de nacionais, ao contrário de 2010, em que os nacionais detém apenas 15%. Esta política foi conscientemente assumida. Recorde-se o ataque aos certificados de aforro. Por outro lado, em 2004, a dívida pública não ia muito além de 50% do PIB (abaixo da média dos países europeus) enquanto hoje ela é superior a 91% do PIB. Este agravamento astronómico em tão curto espaço de tempo é deveras surpreendente.

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segunda-feira, novembro 01, 2010

trapaceiros


Toda a nossa classe política e afins (comunicação social controlada, “politólogos” e outros fazedores da opinião pública), todos eles, não se cansaram de repetir dos malefícios e demais desgraças que adviriam para o país com o inevitável agravamento dos juros da dívida pública caso não se concretizasse o acordo sobre o orçamento entre Sócrates e Passos Coelho.
Só um acordo orçamental poderia acalmar os “mercados” afiançaram-nos com o ar sério de gente entendida.
Afinal, os juros da dívida pública, ao contrário do que andaram a propagandear dias a fio, subiram hoje significativamente, alcançando os 6,19%.

Já vai nos 6,31%, em 02 de Outubro

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terça-feira, outubro 19, 2010

“Os mercados” e a Dívida Pública (II)

Mas será que o aumento da Dívida Pública que se verificou a partir de 2004, e que então não ia além de 58,3% do PIB, aconteceu por casualidade ou inevitabilidade histórica?
Que motivações teve Sócrates e Teixeira dos Santos para colocar a Dívida Pública Nacional nas mãos de estrangeiros? Recorde-se que em 1996 os residentes detinham 75% da dívida e que em 2008 esse valor baixou para os 22%.
Quais as razões que levaram o governo a endividar o país em tão curto espaço de tempo, hoje a dívida atinge o vapor colossal de 125% do PIB (dívida pública directa e indirecta), de modo tão irresponsável perante o estrangeiro, perante “os mercados”, (como agora se ouve dizer) e que agora serve de desculpa ao governo para impor as medidas de austeridade draconianas previstas no orçamento de estado?
O deslumbramento que o euro causava, o fascínio da “globalização” que a entrada do euro anunciava, o alargamento do “mercado” traduzido em mais e maiores negócios, em mais e maiores lucros, inebriou então (1999) a nossa classe dirigente, os nossos banqueiros e os nossos grandes empresários.
A colocação da Dívida Pública passou a ser mais célere e facilitada. Privilegiou-se a venda da dívida a instituições estrangeiras.
– “No período 1997-2000, surge a preocupação da preparação e adaptação da gestão da dívida ao Euro. Em 1998 é reforçado o papel dos Operadores Especializados em Valores do Tesouro (OEVT), enquanto agentes de distribuição e colocação da dívida em mercado primário e como “market makers” em mercado secundário.
O objectivo da liquidez da dívida leva à criação no ano de 2000, do MEDIP, que se caracteriza por ser um mercado especializado para a negociação por grosso dos instrumentos da dívida pública baseado na utilização da plataforma electrónica de negociação MTS”.
O MEDIP arrancou com a negociação de Obrigações do Tesouro (OT) – instrumento de mercado para financiamento da República a médio e longo prazo – dinamizada pelos OEVT (operadores especializados em valores de tesouro) em que nele actuam, por compromisso assumido perante o IGCP (Instituto de Gestão do Crédito Público), com o estatuto de market makers. A 16 de Julho de 2003, na sequência de decisão da República de passar a emitir regularmente os novos Bilhetes do Tesouro (BT) para financiamento estrutural de curto prazo, a MTS Portugal, por decisão do seu Conselho de Administração, criou um outro segmento no MEDIP para a negociação por grosso destes títulos. Funcionando em paralelo com o das OT, o segmento de BT é dinamizado pelos intermediários financeiros a quem o IGCP atribuiu o estatuto de Especialistas em Bilhetes do Tesouro (EBT) que nele participam como market makers.
Para alargar a possibilidade de participação no MEDIP e dinamizar o mercado da dívida pública, o Conselho de Administração da MTS Portugal decidiu, em 2004, criar um terceiro grupo de participantes, os “Pure Domestic Participants” (PDP), com custos de acesso reduzidos.
No final de 2009, o MEDIP registava um conjunto de 29 participantes: 18 market makers e 10 market dealers em OT e 15 market makers e 6 market dealers em BT. Aquando do arranque do MEDIP, em Julho de 2000, participavam apenas 12 bancos. (fonte MTS).

Afinal “os mercados” de que fala e tanto se queixa Teixeira dos Santos é o “mercado” criado e mantido pelo governo da Republica e que no final de 2009 “o MEDIP registava um conjunto de 29 participantes: 18 market makers e 10 market dealers em OT e 15 market makers e 6 market dealers em BT. Aquando do arranque do MEDIP, em Julho de 2000, participavam apenas 12 bancos”.
Entretanto, para dar credibilidade a este “mercado” (MEDIP), o governo contratou duas empresas de rating para emitirem avaliações regulares do estado económico e financeiro do país de que agora hipocritamente tanto se lamenta.

E quem são estes market makers e dealers. Pois bem, em 31 de Dezembro de 2005 eram os seguintes (segmento Obrigações do Tesouro do MEDIP/MTS Portugal). (fonte MTS).

Market Makers

ABN-AMRO Bank, NV
Banco Espírito Santo, SA
Banco Millennium BCP Investimento
Barclays Bank PLC
BNP Paribas
Caixa Geral de Depósitos, SA
CALYON
Citigroup Global Markets Limited
Deutsche Bank AG
Fortis Bank
Goldman Sachs International
HSBC France
Lehman Brothers International (Europe)
Morgan Stanley & Co International Limited
Société Générale, SA
Unicredit Banca Mobiliare SpA

Market Dealers
Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo
Commerzbank AG
Credit Suisse First Boston (Europe) Limited
Dresdner Bank, AG
IXIS Corporate & Investment Bank
JP Morgan Securities LTD
Nomura International
WestLB

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segunda-feira, outubro 11, 2010

Os “mercados” e a Dívida Pública


O XIII governo constitucional tomou posse a 28 de Outubro de 1995. José Sócrates ocupava o cargo de secretário de Estado Adjunto do ministro do Ambiente neste primeiro governo de Guterres.
Um governo que prometia muito e que conquistou o voto popular mercê de uma campanha massiva nos órgãos de comunicação social que conseguiu e não mais deixou desde então de dominar.
Um governo com condições económicas extraordinariamente favoráveis se comparadas com o panorama actual. Em 1996 a Dívida Externa Líquida não excedia os 10,4% do PIB (em euros, 9.400 milhões de euros). Hoje a Dívida Externa Líquida ultrapassou os 112% do PIB (2009, em euros 183.223 milhões de euros).
De 1996 a 2009 o aumento em euros foi assim de cerca de 2.000%. E não se pense que estes brutais aumentos são consequência da crise financeira mundial; já em 2007, antes de eclodir a crise, esta dívida ascendia a 92,4% do PIB.
Quanto à Dívida Pública, o quadro não é muito diferente. Contudo o seu agravamento descontrolado verificou-se apenas com a governação Sócrates. Em 2004, a Dívida Pública Directa correspondia a 58,3% do PIB (em 1996 era de 59,9% do PIB). Em 2010, a Dívida Pública Directa ronda os 91% do PIB. Considerando contudo, o endividamento das empresas públicas e as dívidas assumidas nas parcerias público privadas, o valor da dívida Pública sobe para os 125% do PIB. É um agravamento brutal e que coloca em causa qualquer pretensão de desenvolvimento económico do país. Com uma agravante mais – se em 1996 os residentes detinham 75% e os não residentes 25% da dívida pública portuguesa, em 2008, os residentes detêm apenas 22% e os não residentes 78%.

São estes “não residentes” que tanta preocupação aparentemente tem causado nos últimos tempos ao governo. Governo que se desmultiplica em apelos de “bom senso” a todos os que não se conformam com as medidas de aumento de impostos, redução de salários e cortes sociais que aplicou, talvez para compensar o bom senso que não teve ao colocar em mãos de estrangeiros a dívida pública nacional. E não é só o governo. Todos os “homens do sistema”, políticos, comentadores, banqueiros exigem a aprovação do orçamento proposto pelo governo, o mesmo é dizer que todos eles querem, quanto antes, a aplicação das medidas de austeridade nele contidas. Tudo isto porque os “mercados”, essa entidade nebulosa e longínqua, se encontra “nervosa” e será bom, assim o ameaçam, que lhe façamos a vontade sob pena de uma grande desgraça cair sobre o país.
Portugal encontra-se assim nas mãos dos “mercados”; o bem ou o mal-estar dos portugueses é assim ditado pelo seu bom ou mau humor ao que nos dizem. Triste país que se deixou colocar em tão miserável posição. E tudo aconteceu com a maior rapidez. De um dia para o outro, os portugueses acordaram com a corda na garganta. Em 2004, há seis anos apenas, a Dívida Pública Portuguesa tinha um valor abaixo da média europeia de 58,3% do PIB. Hoje, a dívida total atingiu o valor astronómico de 125% do PIB. Em apenas 6 anos, seis anos de governação Sócrates, o Estado endividou-se em cerca de 117.000 milhões de euros.

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terça-feira, maio 25, 2010

eles e nós


Não responsabilizem os cidadãos, não responsabilizem os portugueses pelo estado miserável a que chegaram as contas nacionais. Não nos digam que estamos a viver acima das nossas possibilidades. A média mensal dos salários dos portugueses é a mais baixa da EU a 15, cerca de 850 euros ficando a Grécia, país que nos segue nos mais baixos salários, mas já muito distante de nós, com 1.300 euros.
É certo que a despesa pública primária é relativamente elevada, mas atenção, não são os portugueses, a generalidade dos cidadãos que colhe os benefícios desta despesa pública elevada. Já demonstrámos como este dinheiros públicos são usurpados por uma classe política que os desbarata em seu proveito pessoal, protegida pelo sistema corrupto institucional que tão bem soube urdir ao longo dos últimos anos. Se a despesa pública é elevada não é porque os portugueses usufruam dos benefícios que uma tal despesa faria supor. Hoje suportamos um esforço fiscal superior (em valores relativos) aos de uma Suécia mas estamos a anos-luz dos apoios sociais que este país proporciona aos seus cidadãos.
Portanto, não sejam cínicos ao ponto de atribuir às vítimas o papel de carrascos. Conhecemos os vossos métodos. Manipulando os meios de comunicação social ides procurar manter os vossos privilégios lançando apelos “patrióticos” e tentando forçar os cidadãos a aceitar mais sacrifícios, unidos, num único bloco central de interesses de classe oligárquica.
Em 1996, a nossa dívida líquida externa era de 9.625 milhões de euros o que correspondia a 10,4% do PIB. Em 2009, a nossa dívida líquida externa é de 182.678 milhões de euros que corresponde a 111,7% do PIB. Este aumento brutal, este descontrolo, reflecte uma total irresponsabilidade das nossas elites políticas. Nos últimos cinco anos apenas, por outro lado, a nossa dívida pública directa aumentou 54,73%, cerca de 44.480 milhões de euros. Contudo, se considerarmos o endividamento das empresas públicas não financeiras, as parcerias público privadas e as concessões, haverá que acrescentar àquele valor mais 56.280 milhões de euros.
É o completo descalabro das contas públicas. Compreende-se assim o desnorte que têm demonstrado nestes últimos dias, Sócrates, Teixeira dos Santos e todo o governo.

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domingo, maio 09, 2010

Sócrates aumentou em 55% a Dívida Pública, de 2004 a 2009.
Em 2004, a Dívida Pública cifrava-se em 58,3% do PIB ou seja 81.270 milhões de euros. Em 2009 atingiu 76,8% do PIB, isto é 125.750 milhões de euros. Em euros, a Dívida Pública portuguesa aumentou portanto naquele período, em 44.480 milhões de euros, ou seja um aumento de 54,73%. É obra.
Entretanto, o nosso ministro das finanças, a propósito do empréstimo português de 2.000 milhões de euros à Grécia, vem agora afirmar que tal empréstimo significa um “sinal muito forte aos mercados”, como se os “mercados” não se encontrassem já demasiado e fortemente elucidados quanto aos sinais que lhe chegam do governo e do ministro português.

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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Dívida Pública e Dívida Externa

O aumento da Dívida Pública do País tem um rosto: – Sócrates e o seu governo socialista.
De 2005 a 2010 a dívida pública passou de 91 mil milhões de euros para 147 mil milhões de euros. Um aumento de 56 mil milhões de euros. Em termos de percentagem do PIB, representava 59% em 2004, passando para 79% do PIB em 2009, prevendo-se que vá atingir cerca de 88% do PIB em 2010.
Mas haverá que acrescentar a esta Dívida Pública Directa, a dívida das empresas públicas (30 mil milhões de euros) e das parcerias público privadas (26 mil milhões de euros) no que resulta uma Dívida Pública total de 203 mil milhões, cerca de 122% do PIB em 2010.
O colapso das contas públicas aproxima-se pelo que não será de estranhar que Sócrates, a qualquer pretexto, queira abandonar o barco e o pântano em que nos mergulhou.


O aumento da Dívida Externa do País tem um rosto: – Sócrates e o seu governo socialista.
De 2004 a 2009, o valor do PIB cresceu 13,6%, enquanto a Dívida Externa Líquida aumentou 78,6%. Em milhões de euros, o PIB cresceu 19.608 milhões de euros, enquanto a dívida aumentou 72.484 milhões de euros. Assim, de 2004 a 2009, a dívida externa líquida do Pais passou de 64% do PIB para 100,6% do PIB. É um crescimento insustentável.

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