terça-feira, fevereiro 07, 2012

custe o que custar



Passos Coelho mentiu em campanha eleitoral. Do ”disparate” em que consistia o retirar dos subsídios de Natal e Férias, segundo as suas palavras, passámos agora, quando imagina encontrar-se solidamente instalado no governo, ao “custe o que custar”. E neste curto percurso vem ao de cima sobretudo o seu distorcido e mau carácter, não apenas pela apologia de políticas contrárias a tudo o que prometeu em campanha, mas também por mais um logro em que quer fazer embarcar os portugueses. Com uma dívida pública já superior a 110% do PIB, quando em 2007 rondava os 68%; com uma taxa de desemprego em 13,6% quando em 2007 se situava em 8%; com uma recessão de 3% quando em 2007 tínhamos um crescimento de 1,9%; com um pagamento em 2012, só de juros da dívida pública, de uma despesa equivalente a 5,5% do PIB, quando em 2007 era apenas de 2,8%; com as medidas de austeridade impostas que provocam inequivocamente mais recessão; com uma crise de crédito às pequenas e médias empresas sem o lançamento de quaisquer medidas de apoio; quando a União Europeia não consegue inverter ou sequer estancar a crise do euro, agravando-se pelo contrário todos os índices económicos europeus; assim, prometer que o país volta aos mercados em 2013, é seguramente uma tremenda falsidade. Passos Coelho propagandeia e tenta fazer cair os portugueses em mais este tremendo logro.
Do “custe o que custar” à “pieguice”, discurso com que mimoseia os portugueses, Passos Coelho está rapidamente a transformar-se num desabrido e perigoso lunático.

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terça-feira, fevereiro 09, 2010

os números


................................Portugal .............Grécia

Desemprego (2009) ......10,4...................9,7
PIB/Hab (2008) ............76 .....................94,3
Produtividade/hora ......55,5 ..................87,4
Dívida Pública (2008) ...79%PIB (?) ......100,8%PIB
Dívida Externa ............108,6% .................87%
Salário Médio (euros) .....645 .................1167
Salário Mínimo (euros)....450 .................701
PIB (bilhões de $) ............232 .................321
Défice Público (2009) ......9,3%PIB ..........12,7% PIB

(?) A Dívida Pública em 2009 foi de 79% do PIB, prevendo-se que vá atingir cerca de 88% do PIB em 2010 sem as manigâncias do governo. Com as manigâncias a Dívida Pública em 2010 sobe para 122% (considerando a dívida das empresas públicas -30 mil milhões de euros e das parcerias público privadas - 26 mil milhões de euros)

Será que a situação económica e financeira de Portugal é assim tão diferente da situação da Grécia?

Desde há muito que a economia do País desliza continuamente num plano inclinado sem sinais de travagem. E só uma profunda mudança política, que não se vislumbra, poderia inverter um tal desastre. Os nossos líderes políticos e os seus partidos foram e são os únicos responsáveis por esta situação que, com mais evidência ao longo dos últimos catorze anos, ano após ano, se vem agravando. Deles, não haverá que esperar qualquer solução. O Orçamento para 2010 apresentado pelo governo, é um bom exemplo da incapacidade do “sistema” vigente para se auto reformar. Continua na mesma cruzada despesista dos anteriores recorrendo à mesinha de sempre – aumento de impostos e cortes sociais.
Compreende-se assim, que os nossos políticos queiram tapar o Sol com a peneira atirando culpas a terceiros. O comissário europeu Joaquin Almunia não fez mais do que alertar para as evidências que os números transmitem.

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