quinta-feira, dezembro 22, 2011

Testas de ferro


Esta agressiva ofensiva do capital financeiro por uma nova ordem social neoliberal, aproveitando a oportunidade que as debilidades orçamentais dos estados lhe oferecia, estados a braços com os problemas resultantes dos défices e dívidas públicas elevadas, como enunciámos no último post, necessitava do apoio dos governos dos países escolhidos como primeiros alvos. E, perante a recusa dos governos da Grécia e da Itália em adoptarem as mais severas medidas de austeridade que se lhes exigiam, beneficiando por outro lado dos receios, das dúvidas e incertezas das populações que o rápido desencadear da crise nelas provocava, não hesitaram em saltar por cima da democracia e colocar os seus algozes directos, executivos da banca, como testas de ferro da execução das suas políticas anti sociais.
Não foi o caso português. Por cá temos um governo e um primeiro-ministro que se prestam a esses execráveis desígnios. Demonstrando até uma incompreensível satisfação no cumprimento desse odioso papel. Esforçam-se por “ir mais além da troika” o que significa gozar da ambição de sacrificar mais o seu povo ultrapassando as exigencias da troika.
São governantes despossuídos de qualquer sensibilidade social. Defendem exclusivamente os interesses do capital financeiro na fundada suposição que serão por ele, mais tarde, bem recompensados.
Na História figurarão apenas como lacaios dos interesses estrangeiros e traidores do seu povo.

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quinta-feira, setembro 16, 2010

PPD "reformado"


Este, e muitos outros problemas tão graves quanto este, com que se confrontam os portugueses no seu dia a dia, não merecem a atenção do PPD. Entretém-se em lançar discussões sobre a revisão constitucional e agora sobre a regionalização do País. Como se os graves problemas dos cidadãos se traduzissem na revisão constitucional ou no que dela resultar.
O que verdadeiramente preocupa Passos Coelho são as “soluções gradualistas”. Na Educação, na Saúde, no Direito ao Emprego e agora, na Regionalização.
O homem não sossega e parece nada ter a oferecer em propostas concretas e alternativas às políticas que nos conduziram a esta desgraçada situação social e económica. Um vazio de idéias este "reformado" PPD.

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domingo, março 21, 2010

todos iguais


Uma vez mais, o PSD irá desaproveitar a oportunidade histórica de se constituir numa verdadeira alternativa às políticas da governação socialista. Qualquer dos dois candidatos melhor colocados à liderança do PSD, lidos a “Moção de Estratégia Global” de Paulo Rangel e o livro “Mudar” de Pedro Passos Coelho, não encarnam e não apresentam uma verdadeira alternativa política, nem de “ruptura” nem de “mudança”, como as suas candidaturas anunciam.
Uma candidatura que invertesse as políticas neoliberais de Sócrates, na Saúde, na Educação e na Justiça. Cujo equilíbrio das contas publicas não fosse alcançado à custa de cortes nas Funções Sociais do Estado ou do aumento dos Impostos dos trabalhadores e da classe média. Uma candidatura que acreditasse nos ideais da Social-Democracia e colocasse em pratica os seus princípios e interrompesse desse modo o continuado agravamento económico e social do País.

Paulo Rangel é claro quando afirma: “finalmente, o mito da imutabilidade dos mecanismos de protecção social tem prolongado na sociedade portuguesa uma verdadeira ilusão de “status-quo” das políticas sociais…”; “tornam-se igualmente necessárias políticas de forte contenção salarial na função pública”… ;“no lado da receita, são necessários novos modelos de financiamento, nomeadamente através de privatizações…” ou ainda não podemos ficar agarrados aos velhos cânones e às exaustas soluções históricas da social-democracia clássica, desenhadas num contexto histórico marcadamente diferente”. Tudo para a “construção de uma sociedade decente seja lá o que isto quer dizer. Pedro Passos Coelho por seu lado com a mesma clareza enuncia os seus propósitos “Eu concordo com este princípio de acabar com a universalidade na área da saúde e não só".

No fundo, o que Paulo Rangel e Passos Coelho criticam em Sócrates, não são as “reformas” que resultam em cortes nas políticas sociais, nem o congelamento de salários da função pública, nem as privatizações, nem tão pouco o seu neoliberalismo económico e social. O que na verdade os candidatos do PSD criticam, é a falta de eficácia das “reformas” ensaiadas pelo governo de Sócrates, o que constitui uma “alternativa” muito modesta, uma alternativa disposta apenas a gerir a crise, mas não a ultrapassar a crise, o que estará muito longe de uma verdadeira e mobilizadora alternativa ao governo. Lamentavelmente, seguem as pisadas dos seus antecessores - “o Estado não pode ter o monopólio da Saúde, Educação e Segurança Social, o Estado deve sair do ambiente, das comunicações, dos transportes, dos portos, e na prestação do Estado Social deve contratualizar com os privados” (Filipe Menezes); "A política da saúde vai ter muita dificuldade em ser financiada da forma como é. Considero que o SNS gratuito ou tendencialmente gratuito para todos é um aspecto que provavelmente vai ter que ser revisto" (Ferreira Leite).

Nada de novo portanto. Perde assim o PSD a oportunidade de afirmar a sua matriz social-democrata e constituir-se numa verdadeira alternativa de governo, numa mudança, numa ruptura com as políticas neoliberais de desenvolvimento económico que, como a recente crise financeira, económica e social provou, têm provocado nas últimas décadas a par de fracos e sempre decrescentes crescimentos económicos, as maiores e sempre crescentes desigualdades sociais.

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