domingo, outubro 15, 2017

MARCELO, O GOVERNO E A SOCIAL-DEMOCRACIA


Em política o que parece é.

Ao receber Santana Lopes, após o seu anúncio de candidatura à liderança do PSD e depois de conhecida a candidatura de Rui Rio, o presidente da Republica demonstra que nesta corrida entre estas duas velhas figuras do PSD dirige o seu apoio para Santana Lopes.

 E este seu apoio está desde já e irá seguramente alterar e inverter o seu comportamento político para com o governo de António Costa.

E não foi preciso esperar muito. A intervenção de Marcelo sobre o orçamento de 2018, deixa já adivinhar uma pequena nuance no seu relacionamento com o governo de António Costa ao, e completamente a despropósito, “aconselhar” o governo para não apresentar medidas orçamentais “ eleitoralistas” no orçamento de 2019. Falando em 2019 parece estar subtilmente a referir-se a 2018. Pelo menos assim foi entendido por Mário Centeno que reagiu afirmando que o orçamento de 2018 é um orçamento de rigor e não eleitoralistas.

Apenas dois dias depois desta intervenção, vem novamente Marcelo, ao referir-se ao relatório sobre o incêndio de Pedrógão, “exigir” do governo consequências políticas. Esta repentina “agressividade” de Marcelo para com o governo, só pode ser entendida como uma alteração ao seu relacionamento com o governo de António Costa, temporalmente coincidente com o apoio que manifesta a Santana Lopes.

 Relativamente ao incêndio de Pedrógão o presidente da república deveria saber que se as faixas de 10 metros adjacentes à via estivessem limpas, sem combustível florestal na fatídica estrada 236 onde faleceu o maior número de vítimas do incêndio, como exige o DL 124/2006, não teria havido perda de vidas humanas. Como também, se tivesse sido observado a criação de corredores numa largura mínima de 100 metros sem combustível florestal ao redor das aldeias isoladas como preconiza o referido DL, jamais teria havido casas incendiadas e as mortes que se verificaram.

 As consequências políticas devem assim ser atribuídas a todos os governos que a partir de 2006 não cumpriram com a legislação nem criaram as condições para que as exigências do DL 124/2006 fossem cumpridas.

Não é seguramente atirar demagogicamente para o actual governo, que leva apenas dois anos de legislatura, todo o ónus dos funestos acontecimentos do incêndio de Pedrógão que se ultrapassa da maneira mais correcta e politicamente honesta as consequências dramáticas deste incêndio.

 É pena que Marcel Rebelo de Sousa altere a partir de agora, a partir da saída de Passos Coelho da liderança do PSD, o seu relacionamento com o governo.

Este governo vem sendo o governo que mais se aproxima das políticas sociai democratas e que mais rigorosamente cumpre com a Constituição da República. A Constituição portuguesa é uma constituição social-democrata apesar das purgas que tem levada ao longo da sua curta existência. Será lamentável que o presidente Marcelo dela se afaste e venha apoiar agora as intenções neoliberais de Santana Lopes, ainda que naturalmente com menor radicalismo do que aquele que foi imposto pelas convicções de Passos Coelho.

Com as melhorias que o país tem colhido com a governação de António Costa, quer no campo social, quer no campo económico, financeiro e orçamental, como comprovam todos os indicadores seria lastimável que o presidente da república se tornasse agora um obstáculo à continuidade destas políticas.

 

2 Comments:

Blogger Rogerio G. V. Pereira said...

"É pena que Marcel Rebelo de Sousa altere a partir de agora, a partir da saída de Passos Coelho da liderança do PSD, o seu relacionamento com o governo."

Pena?
Era expectável o quê?

10:51 PM  
Blogger Carlos Sério said...

A ver vmos

3:58 PM  

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