quinta-feira, outubro 12, 2006

de volta, ... passando por Cascais

(Largo da Junta de Freguesia de Cascais, em pleno Centro Histórico, em Agosto, no mês pico do Turismo, cartaz da imundície, de uma Câmara de Cascais desleixada; em sintonia, – cartaz – da nossa política e da nossa classe politica)

Os dois temas da actualidade: Corrupção e Despesas Públicas.
Desde o PR aos comentaristas, economistas e outros fazedores de opinião, passando pelos governantes e os órgãos de comunicação social, são estes os temas apresentados e eleitos, lançados na praça pública neste início de um novo ano político.
Mas qualquer deles tratados em abstracto, sem rosto, como convém.
Mas a Corrupção Instituída em Portugal, tem rosto.
A nomeação politica de dezenas de milhares de indivíduos tendo por critério único de selecção a posse de cartão partidário do partido do poder, ou ser amigo do ministro, ou amigo do amigo do ministro, ou amigo do primo do ministro, ou amigo do amigo do primo do ministro, para os mais altos cargos da administração pública, Institutos, Empresas Públicas, Comissões, Conselhos, Gabinetes, Auditoria, Centros, Fundações, Empresas Municipais, etc, com total desprezo pelas exigências mínimas de qualificação e aptidão para tais lugares, acarretando como resultado um prejuízo concreto no desenvolvimento económico do País motivado pela incompetência e impreparação dos eleitos, só pode ter um nome - Corrupção Instituída.
Certamente que uma outra corrupção, aquela de que todos falam, quer se trate da compra de favores ou das percentagens de dinheiros recebidos nas adjudicações de materiais, consultorias e empreitadas públicas, agravando os custos das adjudicações do Estado necessita ser combatida, mas ela só existe e no elevado grau em que se encontra, precisamente porque quem a pratica são precisamente aqueles gestores de topo de nomeação politica.
A Despesa Pública, também tem rosto.
Com a governação Guterres, entraram na Administração Pública cerca de 120.000 novos funcionários. Mas foram professores que entraram nas escolas? Ou foram médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem que entraram nos hospitais? Ou ainda novos juízes e procuradores? Ou novos policias ou novos tenentes, capitães e generais? Será que com a entrada de mais de 20% de funcionários (de 600.000 passaram a 720.000) contribui para a melhoria da Educação, Saúde, Segurança na mesma ordem de grandeza, nos mesmos 20%? Seguramente que não. Afinal onde se acoitou esta gente? Nos Institutos, Comissões Reguladoras, órgão, Gabinetes, Conselhos, Centros, Fundações e outros órgãos igualmente ineficazes e esbanjadores dos dinheiros públicos. Muitos deles criados apenas para servir de coutada à nossa classe política.
A Despesa Pública originada por estas novas admissões e as despesas correntes funcionais de tais organismos rondará só por si cerca de 25% da massa salarial da Função Pública ou seja 3,75% do PIB.
É este o rosto da despesa pública no nosso país. O combate à despesa pública deveria iniciar-se por aqui. Pela extinção pura e simples destes organismos. Mas não são estas as medidas preconizadas pelo governo. Bem pelo contrário. O PRACE é um enorme Bluff que a seu tempo se demonstrará. Verifica-se já, por exemplo, que à extinção da Direcção Geral de Viação, sucedem-se dois Institutos e um Gabinete. Da extinção dos governadores civis, órgãos do salazarismo de controlo político dos distritos com ligações directas à PIDE, ninguém quer ouvir falar, pois servem de coutada à clientela partidária.
O problema não reside já na mudança de governo. O País deve encarar hoje uma mudança de regime.
O combate à despesa pública tem vindo a ser executado por este governo apenas à custa da receita e não com o combate à despesa. A despesa em nada diminui, pelo contrário tem vindo a aumentar, enquanto a receita, com aumentos de impostos e perdas de “regalias sociais” tem vindo a atenuar o défice do Estado. É um processo irreversível com este regime. No futuro seguir-se-ão novos cortes sociais. E de nada vale a caridadezinha do ministro da Saúde ao isentar os mais pobres dos mais pobres dos aumentos das taxas moderadoras.
Dezenas e dezenas de milhares de privilegiados, cujo número aumenta a cada ano, têm vindo a esbanjar em benefício próprio, ao longo dos anos, a parca riqueza produzida pelos cidadãos deste País. Quem poderá acreditar que a nossa classe política abdique voluntariamente dos privilégios que tão bem soube erguer ao longo dos anos?

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6 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Bem vindo ao nosso convívio!
Fico muito contente. Bjokas. Ana

10:27 AM  
Blogger Paulo Sempre said...

Sublinho, na íntegra!!!!!
Abraço
Paulo

4:42 PM  
Blogger adavid said...

Concordo na totalidade.
Gostaria de ter sido eu a fazer este post; assim, assino por baixo com todo o prazer.
Parabéns pelo regresso.

PS (salvo seja...) - Agradeço o incentivo para continuar.

António David

1:25 PM  
Anonymous JOSÉ said...

Estava a ver que nunca mais voltava!...mas ainda bem que cá estamos de novo e pelos vistos cheios de força! E ânimo ...não há déficit que nos chegue...porque já não há nada para contabilizar.

Este post espelha bem o que vai por este País. e diz uma grande verdade: há já que mudar é de regime....porque este já deu o que tinha a dar....

11:21 AM  
Anonymous Anônimo said...

Ora...ora...o banco de Cascais....mas então onde é que se senta sempre o POVO!

E ainda não se vê o que lhe cai em cima...

11:36 AM  
Blogger Zheng junxai5 said...

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3:22 AM  

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