As dívidas que não se podem pagar não se pagam
Uma austeridade orientada a favor dos credores, está a ser imposta na Europa pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela burocracia da UE. Ostensivamente, os governos sociais - democratas se preocuparam mais em salvar os bancos do que em reanimar o crescimento económico e o emprego. As perdas pelos empréstimos bancários tóxicos e pelas especulações passaram para as finanças públicas enquanto se vão reduzindo as despesas públicos e incluso se vendem infra-estruturas públicas. A reacção dos contribuintes que têm que carregar com a dívida resultante, foi sair à rua em protesto a partir da Islândia e Letónia em Janeiro de 2009, com manifestações mais generalizadas na Grécia e na Espanha, este Outono, para protestar contra a não realização de referendos relativamente a estes nefastos resgates dos donos estrangeiros de dívida pública.
Toda a economia está planificada. Tem sido tradicionalmente a função dos governos. A renúncia a este papel sob o lema do “livre mercado” deixa-a nas mãos dos bancos. Ao procurar os seus próprios benefícios, os bancos tendem a destruir a economia. O excedente termina consumido pelos juros e outros encargos financeiras, o que não deixa rendimentos para novos investimentos de capital ou gastos sociais básicos.
Por isso, a abdicação do controle da política em favor de uma classe credora, poucas vezes combinou com o crescimento económico e o aumento dos níveis de vida. A tendência de que as dívidas cresçam mais rápido que a capacidade de pagamento da população tem sido uma constante básica de toda a história escrita. As dívidas aumentam exponencialmente, absorvendo o excedente e reduzindo a população à escravidão das dívidas.
O sector financeiro obteve suficiente influência para aproveitar semelhantes emergências como uma oportunidade para convencer os governos de que a economia se colapsará se não “salvarem os bancos”. Na prática, isto significa a consolidação do seu controlo sobre a política, que utilizam de modo que polarizam ainda mais as economias. Dar prioridade aos banqueiros e deixar que a UE, o BCE e o FMI, ditem a planificação económica.
As dívidas dos bancos privados incorporadas aos balancetes na Irlanda e na Grécia converteram-se em obrigações dos contribuintes.
Isto, o ditam os testa-de-ferro financeiros denominados “tecnocratas”. Designados por lobistas dos credores, o seu papel é calcular exactamente quanto desemprego e depressão é necessário para exprimir um excedente para pagar aos credores pelas dívidas que têm em carteira. O que faz com que o cálculo seja contraproducente é o facto de que a contracção económica – deflação da dívida – faz que o seu peso se torne ainda mais impagável.
Um princípio matemático e político básico entra em acção: As dívidas que não se podem pagar não se pagam.
Michael Hudson ( ler em counterpunch)
Marcadores: dívidas impagáveis


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