domingo, dezembro 13, 2020

SALÁRIO MÍNIMO E COMPETITIVIDADE

 É a falácia do costume, qual pescadinha de rabo na boca.

Não se aumentam os salários porque “a dinâmica económica”, outros falam em “a competitividade”, não o permite; por outro lado, a “dinâmica económica” sempre será débil se os salários forem baixos, isto é, a Procura daí resultante não permite crescimento económico.
Acresce que não é do agrado do patronado que a corda parta pelo lado dos salários.
Uma coisa é certa. Retirar força aos sindicatos (leis laborais) ou aumentar a precariedade reduz a capacidade de negociação entre sindicatos e patronato no que resulta efectivamente numa redução paulatina dos salários. É por essa razão que a produtividade aumentou mais que os salários; os salários aumentaram apenas 65% da Produtividade nas duas últimas décadas.
Face a este cenário é necessário que em Portugal se rompa com este sofisma e assim o aumento significativo do salário mínimo é uma das formas de o conseguir.
Não será por acaso que os países europeus com melhor crescimento económico são os países que praticam melhores salários.
Aliás, tivemos a confirmação do que afirmamos com os resultados obtidos economicamente com as reversões dos rendimentos e com o aumento significativo do salário mínimo do governo da “geringonça”.
Regressar à “filosofia” dos baixos salários para incrementar a economia faz-me lembrar aquela máxima apregoada pelos neoliberais “do mais austeridade para sair da austeridade”.
Quanto à falácia da “redução do salário faz diminuir o emprego” James Galbraith e Deepshikha Chowdhury, demonstraram que face aos dados sobre salários e emprego na Europa entre 1980 e 2005 não se pode deduzir que devam diminuir os salários para que aumente o emprego; ao contrário, quando houve aumento dos salários houve subida do emprego e quando se reduziram ele baixou.