terça-feira, dezembro 10, 2013

A questão das alternativas

Há ou não há alternativa às políticas da Troika, às políticas do governo (que não há muito tempo se orgulhava de ir para além da Troika), às políticas da Comissão Europeia, às políticas do BCE, às políticas do Fundo Monetário Internacional, às políticas do imperialismo alemão. Todos, em coro, não se cansam de declarar que não há outras alternativas para além daquelas que anunciam e exigem aos povos sob o seu domínio. E lá estão os “mercados”, para demonstrar que assim é. Se algum país, sob o jugo directo ou indirecto da Troika, se atrever a desviar-se das políticas por ela exigidas lá teremos os “mercados” a subir os juros da dívida pública e a tornar insustentável o financiamento das economias dos estados.
Os países, prisioneiros desta chantagem do “ou fazes o que te mandam ou não tens financiamento”, prisioneiros desde que aboliram a sua moeda e entregaram a terceiros a emissão da moeda que circula no seu país, que se mutilaram e entregaram ao estrangeiro o maior trunfo da sua soberania, na vã e ingénua expectativa de que todos os países seriam iguais e solidários na União Europeia, vêem agora o logro em que caíram, de como da solidariedade entre países se passou à exploração dos países menos desenvolvidos, à exploração dos países do sul europeu pelos países do norte europeu.
  Perante esta chantagem, nesta lógica perversa imposta pela Troika, só existe na verdade uma única alternativa. A ruptura pura e simples com as políticas da Troika, a saída da moeda única, a saída do euro. Será antipatriota, serão miseráveis os políticos que insistam nestas políticas de servidão de submissão, de humilhação ao povo português e se submetem à mais pérfida das chantagens. Não há outra alternativa. Aquilo que as políticas neoliberais nos prometem é a servidão por toda a vida. Recuso-me a ser servo e a ser chantageado por toda a vida.
Será difícil a ruptura, certamente para aqueles que viram os seus rendimentos subirem e duplicarem nestes últimos anos de crise, para os Catrogas, Salvados, Jerónimos Martins, Belmiros, Mexias, Ulrichs, Américos Amorins, Melos, Césares das Neves, Bessas, etc, mas nunca para os desempregados ou para os trabalhadores que viram os seus salários reduzirem-se ou para os aposentados com cortes nas suas pensões. A redução de rendimentos nestes anos do chamado “ajustamento” que outra coisa não foi do que a passagem de rendimentos da maioria da população, (trabalhadores, pensionistas, pequenos e médios empresários e industriais) para a minoria mais rica, (os grandes gestores empresariais, os banqueiros e os grandes accionistas das grandes empresas e os políticos da área do poder), supera já a desvalorização do novo escudo que a saída do euro implicaria. É por esta razão que a classe dos ricos não quer sequer ouvir falar da saída do euro.
O PS tarda em definir-se. O momento não é de hesitações. “Em definitivo, creio que na Europa do Capital Financeiro a Europa dos Povos não tem espaço e de que, portanto, mais vale abandonar um barco rumando até ao empobrecimento das classes populares europeias que seguir oprimidos esperando que o gato mude a sua natureza… porque não a mudará. Esta Europa, a Europa que de sonho democrático e social se converteu em pesadelo anti-social e antidemocrática. Até quando teremos que esperar para que as esquerdas entendam que esta Europa não é alterável?”

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Ora até quando...até quando desatar tudo à cacetada.....

2:51 AM  
Blogger RIVUS said...

Sou um dos que se opôs veementemente contra a entrada no Euro porque adivinhava o que nos iria suceder. Agora, advogo vivamente tal saída e sinto satisfação ao ler essa constatação vinda de outras pessoas, como é o caso. Post notável pela evidência que demonstra!

11:46 AM  

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