sábado, abril 14, 2018

“IR ALÉM DA COMISSÃO EUROPEIA”


Neste confronto de argumentação entre o governo do PS, o BE e o PCP sobre o défice e o pacto de estabilidade, a ideia que passa, o que se retira desta discussão é que as famílias irão ser penalizadas com uma menor distribuição de rendimentos e uma menor melhoria das funções sociais do estado apenas e tão só porque foram alcançados melhores resultados para o défice de 2017 do que estava previsto.
Na verdade, se o valor do défice de 2017 tivesse sido de 1,4% como estava previsto e não o óptimo resultado de 0,9%, teríamos para 2018 um défice de 1,1% e não de 0,7% como agora se altera nesta nova previsão inscrita no pacto de estabilidade.
Quer dizer, o esforço das famílias que permitiram um tão bom resultado irá resultar na sua própria penalização com menor distribuição de rendimentos e menores benefícios oferecidos pelo estado na saúde, educação, etc.
É um contra senso que irá seguramente retirar alguma confiança ao desempenho do governo, confiança tão desejável e necessária ao melhor desenvolvimento económico do país.
 O governo atribui e bem ao melhor desenvolvimento económico do país, ao maior crescimento, ao menor desemprego, ao maior emprego, ao menor défice, etc, à mudança de política que vem executando, à inversão da política da austeridade seguida pelo governo anterior de Coelho e Portas e à reposição de rendimento. Os resultados obtidos com esta inversão de política, com esta alternativa política, foram óptimos e muito para além das espectativas iniciais. Perante a descrença da Comissão Europeia o governo de António Costa manteve-se firme na prossecução desta política e conseguiu demonstrar a justeza da sua política económica, a justeza do seu modelo económico alternativo. 
Em vez de privilegiar a Oferta como praticam os amantes das políticas de austeridade privilegiou a Procura com a devolução de rendimentos.
 É certo que um valor menor de défice público é do agrado dos mercados e favorece a redução dos juros da dívida pública. Mas nós sabemos que os mercados financeiros são profundamente instáveis e pouco confiáveis. Agradar aos mercados financeiros e à Comissão europeia indo “para além do défice” inicialmente previsto não parece muito desejável. A menor devolução de rendimentos e a menor melhoria dos benefícios sociais concedidos pelo estado que resulta de uma tal assunção política não parece conforme à estratégia de desenvolvimento económico e social até aqui empreendida pelo governo de António Costa. Não será uma mudança de modelo mas é seguramente um desvio.
 
Passos Coelho gabava-se de “ir além da Troika” e deu no que deu. Que Mário Centeno e António Costa pesem bem os resultados do “ir além da Comissão Europeia”.