os parceiros

À primeira vista poderá parecer que o PSD chegou a acordo na negociação do Orçamento 2011 de modo contrariado. Ora, não há nenhuma profunda oposição do PSD a este orçamento nem quanto à sua filosofia nem quanto às medidas de austeridade que atingem a maioria da população. Recorde-se que alguns meses atrás, um dos negociadores e deputado do PSD, Miguel Frasquilho, advogou uma redução salarial dos trabalhadores da função pública. Por outro lado, o empenho que Passos Coelho colocou nas negociações, não se limitando apenas à viabilização do orçamento, como alguns dos seus colaboradores mais directos o aconselharam (Nogueira Leite) mas, desejando preferencialmente um acordo, um qualquer acordo, porque deixa cair uma das suas mais mediáticas promessas, várias vezes assumida (o que o levou até,numa primeira vez, a pedir desculpa aos portugueses) - o não aumento de impostos.
Repare-se que a "oposição" de Passos Coelho ao governo socialista vem sendo muito mais cordata que a da sua antecessora Ferreira Leite (o que lhe mereceu criticas internas). E desde o início,desde que Passos Coelho se candidatou a líder. Este "emparceiramento" com Sócrates vem assim sendo desenhado desde há meses atrás. As entrevistas que entretanto quer Angelo Correia quer Filipe Meneses foram dando confirmam-no. A conduta política de Passos Coelho tem sido assim coerente ao longo dos últimos tempos. O parceiro do "tango" é mesmo tido por parceiro nas medidas de austeridade impostas no novo orçamento para 2011.
Para Passos Coelho este orçamento faz o “trabalho sujo” que ele já não terá que fazer no dia em que, como sonha, vier a ser primeiro-ministro.
Marcadores: Acordo PS/PSD; orçamento para 2011