A falsa “ajuda” à Grécia
No momento em que os títulos de dívida pública grega se encontravam nos mercados muito abaixo do seu valor nominal, chegando até a descontos de 70% e tendo por cenário de fundo a eminência da falha de pagamentos da dívida (default) por parte da Grécia, Merkel e os seus ministros europeus decidiram “ajudar” a Grécia com um novo “empréstimo” de 130 mil milhões de euros, sob as mais severas condições. Como é conhecido, destes 130 mil milhões um razoável quinhão fica desde logo reservado, em conta separada, à guarda da Troika, para pagamentos aos credores da dívida pública grega. Este “empréstimo” consistirá numa reestruturação da dívida em que os tais títulos, que chegaram a valer nos mercados apenas 70% do seu valor, por novos títulos com a garantia do FEEF, a juros de 3,65%.
Veja-se o negócio dos credores – trocam títulos (classificados de lixo) que valem 70% do seu valor e na eminência de valerem zero (se a Grécia entrasse em default), por títulos garantidos pelo FEEF, (classificados de AAA). Com um “perdão” de 53%. Perdão, uma ova! Em vez de perderem tudo ou um mínimo de 70%, o negócio engendrado nesta “ajuda à Grécia” permitiu-lhes uma perda de apenas 53% e com todo o restante altamente garantido. Grande negócio, mas não para a Grécia que se vê arrastada, com as novas medidas de austeridade impostas, para uma recessão em que não se descortina o fim.
Com esta “operação de ajuda” o que saltou à vista de todos, foi a preocupação das entidades financeiras representadas pela Troika e pela frau Merkel, em salvar o mais que puderam dos investimentos dos credores da dívida grega. E chamaram a isto uma “ajuda à Grécia”. Com os meios de comunicação e os “economistas, politólogos e comentadores habituais” a propagandearem esta enorme trapaça.
Entretanto, o BCE já desembolsou 489 mil milhões em Dezembro e mais 529 mil milhões ontem, aos bancos europeus, sem exigências, a juros de 1%. Miserabilizam-se os países, com exigências de austeridade draconianas para cedência de “empréstimos” a juros de 3,65% enquanto aos bancos empresta-se tudo o que desejam a juros de 1%.
Se a tudo isto, os povos dos países sacrificados, como o nosso, se mostrarem indiferentes ou sem uma reacção proporcional à agressão de que são vítimas, o melhor será mesmo emigrar para Marte.
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