terça-feira, junho 01, 2010

De volta ao escudo?


Os cidadãos portugueses vivem dias difíceis, com o desemprego sempre em crescendo, já vai nos 10,8%, com a redução de salários, directa ou indirectamente através do aumento de impostos (IRS), com os custos sociais agravados. Nada que não fosse previsível desde há muito, corolário lógico do acelerado desgoverno dos últimos quinze anos. E chegados a 2013, os portugueses poderão dar-se conta que todos os sacrifícios que agora lhes são pedidos se tornaram absolutamente inúteis e se encontrarão numa situação mais gravosa ainda.
À nossa crise crónica iniciada em 1995, ano a partir do qual se deu um descontrolado aumento da despesa corrente primária (29,7% em 1994 para 43,9% do PIB em 2009) sem que deste crescimento da despesa resultasse qualquer benefício para os cidadãos, um puro desperdício, dinheiros desbaratados e gastos em instituições do Estado absolutamente parasitárias. Uma carga crónica, demasiado pesada e suportada, ano após ano, pelos sacrificados cidadãos. De 2004 a 2009 esta despesa corrente primária aumentou de 39,1% do PIB para 43,9%. Em cinco anos, esta verba subiu anualmente cerca de 3.800 milhões de euros. Uma verba astronómica que só por si daria para reduzir o IVA de cinco pontos percentuais (2.721 milhões de euros) conjuntamente com uma redução de impostos do IRC e IRS da ordem dos 8% (363 e 715 milhões respectivamente). Podemos imaginar, o incremento para o desenvolvimento económico e social que esta diminuição de impostos constituiria. É este o nosso calvário. É esta a nossa “crise”. Um gasto anual crónico absolutamente supérfluo, parasitário e desbaratado pela nossa classe política no “sistema” corrupto constitucional que instituíram.
A crise internacional veio apenas mostrar com maior rapidez o pântano em que nos encontramos. A crise internacional manifestou-se no nosso país, como na generalidade dos países, com uma carência de liquidez das entidades bancárias, com uma abrupta e persistente queda dos índices bolsistas e com um acentuado decréscimo das exportações. A queda das exportações, a quebra das receitas fiscais, um pequeno apoio social e às pequenas e médias empresas (que somado não constituiu 1% do PIB) e sobretudo um apoio de muitas centenas de milhões de euros aos bancos fizeram saltar o défice de 2009 para 9,4% do PIB. Um défice tão elevado, uma dívida pública total (directa e indirecta) de 112% do PIB, uma dívida externa líquida de 111,7% do PIB e uma dívida externa bruta de 298,1% do PIB, colocam Portugal, com a maior das probabilidades, a ser um dos primeiros países obrigado a abandonar o euro.

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