O PSD E O NOVO ORÇAMENTO

Creio que o PSD não terá entendido bem, as palavras do Presidente da República.
Por inércia do seu anterior mandato de maioria absoluta, manteve Sócrates nos primeiros tempos desta nova legislatura, a mesma arrogância, sobranceria e desprezo pela Oposição que houvera manifestado nos últimos quatro anos de governação. Sócrates mantinha-se igual a si mesmo, indiferente às novas condições política nascidas com as eleições e assim prosseguiria se não se tornasse evidente a incompreensão generalizada da opinião pública por esta desajustada opção táctica do primeiro-ministro. Cavaco Silva, ressabiado pela cilada do caso das escutas que Sócrates lhe montou, compreendendo a inesperada oportunidade que se lhe oferecia não deixou de aproveitar a ocasião e criticar a atitude de Sócrates quanto à sua postura autoritária neste início de novo mandato -“O novo quadro parlamentar, aliado à grave situação económica e social que o País vive, exige especial capacidade para promover entendimentos da parte de quem governa”.
Quem não terá entendido as palavras do Presidente da Republica terá sido o PSD. No novo Orçamento e da sua discussão parlamentar, o que se espera do PSD é a abstenção pura e simples no acto da votação (e assim viabilizando o Orçamento) uma vez que não tem condições políticas para qualquer outra opção. Não se espera do PSD, negociações fora do quadro parlamentar, fora da Assembleia da Republica, que são sempre e naturalmente interpretadas pela opinião pública como estranhas e pouco transparentes, muito menos ainda que com elas deixe cair promessas eleitorais ou, pior ainda, que reclame um “confessionário” com Sócrates. O PSD tem que discutir o Orçamento na Assembleia da Republica com o Partido Socialista e não com Sócrates ou com os seus ministros, abster-se de qualquer pré negociação, manter-se fiel às suas promessas eleitorais e abster-se na votação final do Orçamento, deixando para os pequenos partidos as opacas e pouco transparentes “negociações” fora da Assembleia.