sexta-feira, abril 02, 2010

No "pensar" é que está o ganho


Eis as razões que levam o PS a "pensar" se propõe ou não uma comissão de inquérito ao caso dos submarinos.

«Para Henrique Neto, as suspeitas de corrupção na atribuição do contrato de compra de submarinos pelo Estado a um consórcio alemão - divulgadas esta semana pela revista alemã Der Spiegel - são apenas uma parte do problema, restando ainda a questão das contrapartidas.
"Esta é apenas uma parte, um ramo, do problema", disse Henrique Neto, acrescentando que em 2006 alertou - inclusive numa audição no parlamento - para a "aparente falta de interesse" dos sucessivos governos em fazer as empresas estrangeiras cumprirem as contrapartidas acordadas.
"É impossível que estas empresas estrangeiras [Agusta/Westland e a Ferrostaal], que são grandes empresas conhecidas, não cumprissem os contratos se não tivessem, como se costuma dizer, as 'costas quentes' ", considerou.
"O facto é que o Governo português nunca, nunca - nem este nem os anteriores - nunca prosseguiu no sentido de fazer cumprir o contrato e levar o caso para tribunal", disse igualmente Henrique Neto, acusando os responsáveis políticos de "andarem a enrolar".
"A comissão de contrapartidas andou sempre a adiar, o ministro da Economia anterior andou sempre a enrolar as questões, os dois ministros da Defesa andaram a enrolar, andou toda a gente a enrolar e nunca quiseram aprofundar a razão pela qual os contratos não eram cumpridos", afirmou o empresário.
"Isto só é possível por os partidos políticos estarem interessados em nunca esclarecer isto. E não apenas o PS, também o PSD e também o CDS-PP. Matam-se uns aos outros na AR por causa de coisas de chacha e aqui, que era uma questão de centenas de milhões de euros, estão calados?", questionou.
E acrescentou: "Mesmo o Bloco de Esquerda, começou a mexer nestas coisas e, em determinado momento, parou e calou-se."»
«Escrevi cartas ao anterior ministro da Economia (Manuel Pinho), às quais ele nunca respondeu. Uma vez mandei-lhe uma carta, dizendo que estava muito surpreendido de ele não responder às cartas das contrapartidas, e que dele tinha recebido apenas duas cartas, uma a convidar-me para uma tourada e a outra para uma exposição de fotografia. Não se podia levar a sério um ministro que não tratava a sério uma questão desta importância», alertou.
Henrique Neto manifestou estranheza pelo facto de várias entidades, incluindo o Governo, nunca terem manifestado interesse em conseguir, da parte das empresas estrangeiras, o cumprimento das contrapartidas acordadas pelo negócio dos submarinos.
«Não é normal que os governos não tenham mexido uma palha para resolver o problema. Nunca procurou sequer clarificar a situação, quando estão em causa milhões e milhões de euros», defendeu.
Henrique Neto considera, por isso, que «o mínimo que se pode dizer» é que este «é um negócio escuro, que precisa de ser clarificado».» (no Portugal Profundo)

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