Democracias em declínio

O descontentamento dos cidadãos generaliza-se na Europa debilitando não apenas o vínculo entre os eleitores e os partidos, a população e os governos senão, algo de muito maior dimensão, corroendo de maneira ainda imprecisa mas colocando em causa a própria legitimidade do sistema democrático. Para além dos clássicos incumprimentos das promessas eleitorais logo que os políticos chegam ao poder e da corrupção desenfreada, constata-se com algum desespero que os parlamentos e os governos, em vez de responderem aos anseios dos eleitores se converteram abertamente em gestores diligentes dos interesses de banqueiros e especuladores.
A crise económica não está a ser atacada com uma revisão profunda do modelo vigente senão com medidas que na prática mantêm o mecanismo especulativo que a desencadeou, pressagiando que muito em breve o fenómeno irá repetir-se. Se até agora a reserva material que acumulam as classes laboriosas no Velho Continente permitiu fazer frente à crise sem quebras dramáticos da ordem pública, a decisão de transferir os custos do descalabro às classes assalariadas e a grandes sectores de pequenos empresários começa a minar a economia familiar em geral e se incrementa a população condenada a situações de emergência por desemprego, encerramento de pequenos negócios e baixas sensíveis nos rendimentos; a marginalização começa a ser um fenómeno preocupante e os surtos da violência são cada dia maiores. Na verdade, afectando a maioria da população, as actuais políticas põem em risco o estado de bem-estar que desde o termo da Segunda Guerra Mundial deu à população europeia uma elevada qualidade de vida mediante um sistema de segurança (educação, saúde, emprego, pensões, ajudas sociais, etc.). Este desmantelamento paulatino, acelerado pela crise, é um processo que conduz à “americanização da Europa”, quer dizer, ao predomínio de um modelo de capitalismo selvagem que converte a vida quotidiana numa competição feroz de todos contra todos.
Se na hora de tomar decisões um grupo de banqueiros tem mais poder que milhões de votantes, se um fundo de pensões de Nova York ou Londres decide mais que um parlamento nacional, se as multinacionais se impõem sem dificuldade a presidentes e ministros, e se os governos dos países mais poderosos (como comprovam as divulgações de WikiLeaks) intervêm grosseiramente nos assunto internos de países parceiros, e se estas verdadeiras máfias de colarinho branco acabam por impor o seu critério sobre as autoridades locais (no geral seus cúmplices), o vulgar cidadão tem então sobrados motivos para duvidar da validade do sistema democrático e meditar sobre a real utilidade que tem em dar o seu apoio eleitoral a quem apenas decide o que é de menos importante.
A crise económica não está a ser atacada com uma revisão profunda do modelo vigente senão com medidas que na prática mantêm o mecanismo especulativo que a desencadeou, pressagiando que muito em breve o fenómeno irá repetir-se. Se até agora a reserva material que acumulam as classes laboriosas no Velho Continente permitiu fazer frente à crise sem quebras dramáticos da ordem pública, a decisão de transferir os custos do descalabro às classes assalariadas e a grandes sectores de pequenos empresários começa a minar a economia familiar em geral e se incrementa a população condenada a situações de emergência por desemprego, encerramento de pequenos negócios e baixas sensíveis nos rendimentos; a marginalização começa a ser um fenómeno preocupante e os surtos da violência são cada dia maiores. Na verdade, afectando a maioria da população, as actuais políticas põem em risco o estado de bem-estar que desde o termo da Segunda Guerra Mundial deu à população europeia uma elevada qualidade de vida mediante um sistema de segurança (educação, saúde, emprego, pensões, ajudas sociais, etc.). Este desmantelamento paulatino, acelerado pela crise, é um processo que conduz à “americanização da Europa”, quer dizer, ao predomínio de um modelo de capitalismo selvagem que converte a vida quotidiana numa competição feroz de todos contra todos.
Se na hora de tomar decisões um grupo de banqueiros tem mais poder que milhões de votantes, se um fundo de pensões de Nova York ou Londres decide mais que um parlamento nacional, se as multinacionais se impõem sem dificuldade a presidentes e ministros, e se os governos dos países mais poderosos (como comprovam as divulgações de WikiLeaks) intervêm grosseiramente nos assunto internos de países parceiros, e se estas verdadeiras máfias de colarinho branco acabam por impor o seu critério sobre as autoridades locais (no geral seus cúmplices), o vulgar cidadão tem então sobrados motivos para duvidar da validade do sistema democrático e meditar sobre a real utilidade que tem em dar o seu apoio eleitoral a quem apenas decide o que é de menos importante.
Se a política como pratica essencial da participação de cidadania terminou e tudo se decide nos conciliábulos sinistros das grandes finanças, ¿ para que serve então a democracia? O enorme perigo é, como ocorreu antes, que em lugar de uma resposta de progresso se imponha de novo alguma forma de fascismo. O risco, nada negligenciável, será que poderá de novo regressar a barbárie.
Marcadores: democracia e barbárie
