governo da treta
Nos países da UE, USA e em todos os outros por esse mundo fora onde se aplicaram e continuam a aplicar as receitas neoliberais, as chamadas “reformas estruturais", as consequências e os resultados destas políticas têm sido em tudo iguais, de um único figurino e de um único sentido – um agravamento sempre crescente da desigualdade na distribuição da riqueza criada, com os acréscimos de riqueza gerados ano a ano, a serem arrecadados em sua maior parte pelos detentores do capital em desfavor da parcela destinada aos trabalhadores.
Assim, por exemplo, “entre 1972 e 2007, os rendimentos médios dos EEUU cresceram mais de 15.000 dólares. Mas 10% da população mais rica absorveu 95% dessa nova riqueza enquanto apenas 5% restou para os 90% restantes da população”; e de modo semelhante assim aconteceu na Europa. Em Espanha, “segundo a Encuesta Financiera de las Familias o rácio de desigualdade entre as 25% de famílias mais ricos e mais pobres, passou de 33,3 em 2002 para 39,3 em 2005, para subir a um espectacular 50,4 no primeiro trimestre de 2009. Entre 2005 e 2009, as 25% famílias mais pobres viram diminuir o seu rendimento em 6,4% enquanto os 25% mais ricos se incrementou em 19,9%". Ou ainda “entre 1997 e 2010, os salários reais baixaram 10% e a produtividade horária aumentou em torno de 8%, o que resultou numa redução geral de 25% no custo unitário do trabalho (Fonte: Comissão da União Europeia)”.
Em Portugal, o penúltimo país com maiores desigualdades sociais da União Europeia, enquanto o PIB aumentou de 41,33% entre 1994 e 2007 o salário médio dos trabalhadores portugueses no mesmo período apenas subiu 14,32% (dados a preços constantes “pordata”).
Em Portugal, o penúltimo país com maiores desigualdades sociais da União Europeia, enquanto o PIB aumentou de 41,33% entre 1994 e 2007 o salário médio dos trabalhadores portugueses no mesmo período apenas subiu 14,32% (dados a preços constantes “pordata”).
Os portugueses não podem ir mais na balela, ultimamente tão propagandeada “de que é preciso produzir mais para se poder distribuir depois” quando dessa riqueza produzida os 10% mais ricos arrecadam 95% e deixam uns miseráveis 5% para distribuir pelos 90% restantes!
Nem tão pouco aceitarem sem revolta o empobrecimento a que nos querem conduzir e despudoradamente apresentado pelo governo como se de uma fatalidade histórica se tratasse pois, do que se trata objectivamente, é da transferência dos parcos rendimentos dos 80% da população para os 20% mais ricos, alcançada através do aumento de impostos e da redução dos salários directos e indirectos (cortes sociais).
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