segunda-feira, outubro 12, 2009

o triunfo dos negócios


António Costa, enquanto permaneceu no governo ao lado de Sócrates, foi sempre considerado como o braço direito de Sócrates e, depois do primeiro-ministro, o principal responsável pelas políticas governativas desta ultima legislatura. As politicas anti-sociais e de direita da governação de Sócrates, sempre foram acompanhadas e defendidas por António Costa. O encerramento de maternidades e centros de saúde de proximidade, escolas, aumento das taxas moderadoras, medicamentos, aumento das taxas de IRS para reformados e deficientes e aumento generalizado de impostos, que agravaram o custo de vida das populações, o ataque aos Sindicatos e aos trabalhadores em geral, culminando na nova legislação laboral, o novo Código de Trabalho, que objectivamente enfraquece os Sindicatos face ao patronato e o apoio em termos económicos aos monopólios e às grandes empresas nacionais, traços fundamentais da politica governativa do governo PS, sempre foram apoioadas e defendidas por António Costa.
António Costa é a personificação e a ramificação autárquica desta política, bem evidente quando aprova o parque de contentores em Alcântara (negócio da Mota Engil), o encerramento do Aeroporto de Lisboa, a terceira ponte ferro - rodoviária sobre o Tejo ou ainda as obras e os negócios do Terreiro do Paço e da Frente Ribeirinha.
António Costa ganhou Lisboa com os votos do PCP e do BE. Ambos perderam um vereador e cerca de 20.000 votos em relação às autárquicas de 2005. Foi uma severa derrota para estes dois partidos, que só podem lamentar-se e queixaram-se de si próprios. E perderem para um candidato que exprime uma inequívoca política de direita - uma nova direita mascarada de esquerda - neoliberal, de grandes negócios e de falta de transparência. São responsáveis pela sua derrota miserável por se mostrarem hesitantes ou mesmo solidários com a política de António Costa - Sócrates para Lisboa, por lhe darem objectivamente credibilidade de "esquerda". Deixaram-se usar para o triunfo de uma política da cidade de Lisboa de direita e de negociatas. Torna-se assim penoso, ridículo mesmo, ver figuras como Carvalho da Silva e Carlos do Carmo, para não falar já de Helena Roseta e Manuel Alegre, associarem-se e a festejarem este obscuro, opaco, e reaccionário triunfo.

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