o candidato presidencial de Sócrates

Manuel Alegre, ainda não terá compreendido que para Sócrates, o melhor candidato à presidencia da républica é precisamente Cavaco Silva. Estão politicamente próximos e os mútuos azedumes comportamentais foram ultrapassados a bem de ambos, a bem das suas estratégias pessoais.
Manuel Alegre constituiria uma real ameaça ao desenvolvimento dos grandes negócios do Estado promovido por Sócrates. Ao contrário de Cavaco Silva, como ontem ficou uma vez mais comprovado com a promulgação do decreto-lei que aprova as bases de concessão do troço ferroviário de alta velocidade Poceirão-Caia.
De nada valeram as cedências de Manuel Alegre. A perda dos três ou quatro deputados que detinha na Assembleia da Republica e a perda de credibilidade como resultado do obscuro acordo eleitoral para a Câmara de Lisboa. Manuel Alegre cedeu tudo o que tinha para ceder, em troca de nada. Cedeu com tão arriscada manobra o mais importante que até aqui possuía e que nunca deveria colocar em jogo – a sua própria credibilidade. Sócrates, exímio jogador, frio, calculista e sem escrúpulos, conseguiu assim, sem esforço algum, aniquilar um sério adversário político. Neste processo de autoflagelação de Manuel Alegre, os estragos foram tantos e tão grandes que torna praticamente irreversível a perda da sua credibilidade e estatuto anterior.
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