quinta-feira, janeiro 20, 2011

De mãos atadas


Não vale a pena disfarçar o estado miserável a que chegaram as Finanças Públicas portuguesas. Não vale a pena a pedincha aos Qatares ou às Chinas por esse mundo fora. Portugal não tem capacidade económica para pagar as suas dívidas actuais e futuras. Além da emissão de dívida para pagar o défice crónico orçamental o país terá de emitir também dívida para resgatar as anteriores emissões. Só durante o corrente ano, até Junho, terá de resgatar 9,4 mil milhões de euros. É uma situação insustentável. Avizinham-se portanto dias mais negros ainda para os portugueses. Não se trata de pessimismos gratuitos mas tão só da constatação lógica dos resultados do endividamento nacional a que chegámos.
E o mais lamentável de tudo isto é que não se vislumbra, com a urgência que a situação requer, qualquer alternativa política que possa dar alguma esperança ainda aos portugueses. Com Sócrates ou Passos Coelho o desastre será o mesmo. Nem o PS, nem o PSD, nem o CDS, nem o BE ou o PCP alertam o país com a veemência necessária para o desastre que se avizinha, ou propõem alternativas credíveis e viáveis que possam inverter a situação financeira, económica e social que vivemos.
É preciso apontar muito concretamente as causas que geraram esta situação, e enunciar mais concretamente ainda, a alternativa capaz de a inverter. Coisa que os partidos, perdidos em mil conjecturas e em combates palavrosos palacianos, não adiantam. No palavreado que lemos e ouvimos nos meios de comunicação social a “comentadores, economistas e politólogos de serviço” a confusão torna-se ainda maior. Falam de tudo e do seu contrário, mas no fundo todos pretendem perpetuar a situação confortável em que se encontram instalados, medindo as palavras de modo a não provocarem a mínima perturbação ao sistema corrupto institucional a que chegámos. Alguns, por oportunismo, aproveitando-se dessa confusão, ensaiam as suas investidas contra o chamado “estado social”. Falam em “gordura” do estado. Mas para estes, a gordura do estado não são os múltiplos, paralelos e parasitários órgãos do estado criados pelo sistema corrupto institucional vigente (sobretudo a partir dos últimos 15 anos), mas a abrangência das funções sociais do estado que consideram “exorbitantes”. Para eles, adeptos do “estado mínimo”, a Educação, a Saúde, a assistência social, etc, deveriam ser privatizados, dando novas áreas de negócio aos privados e libertando o Estado de tais compromissos. Claro que pouco lhes importa os sacrifícios a que ficariam sujeitas as populações com tal ideário, dado que defendem, não os interesses sociais gerais da sociedade mas apenas os interesses muito particulares dos privados. Mas, nem aqui, as vozes da denúncia são suficientemente convincentes.

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