segunda-feira, março 21, 2011

A lógica da guerra


Mais uma vez estamos a assistir a um falso pretexto como justificação pela intervenção dos EUA e dos seus aliados na Líbia. Na verdade, os EUA nunca se preocuparam com a defesa das populações vítimas de ditadores. Não aconteceu assim ontem como não acontece hoje. Ditadores como Pinochet e Noriega ou como actualmente, neste mesmo momento, como o rei do Bahrein, Hamad Ben Isa Al Jalifa, ou como o rei Hamad do Yemen, que estão a matar e a massacrar as populações que se revoltam e manifestam, nunca foram nem são actualmente preocupação dos EUA e dos seus aliados. Como o não foi nem é o genocídio do Darfur. A questão é bem outra; só e apenas quando os ditadores deixam de servir os interesses económicos e estratégicos dos EUA, só nesse momento, os EUA e seus aliados se “preocupam” com os direitos humanos. Esta hipocrisia de tanto repetida já não convence ninguém. O que está verdadeiramente em causa, como aconteceu no Iraque (ali a mentira consistiu nas armas de “destruição maciça”) são os interesses estratégicos e económicos dos EUA.
A Líbia detém 3,5% das reservas mundiais de petróleo, mais que o dobro dos EUA, como é ainda local estratégico para a passagem de oleodutos e gasodutos. No Iraque, mais de 100.000 civis foram mortos desde 2003, as infra-estruturas de Saúde, Educação, Viárias, etc, foram destruídas e o país regrediu trinta anos, encontrando-se ocupado militarmente e em guerra civil permanente. Mais de 4.000 soldados americanos perderam a vida desde o início da intervenção norte americana à revelia da ONU. Contudo, os EUA asseguraram o controlo do petróleo iraquiano alcançando assim os seus objectivos. E o mundo, os povos, dominados por uma elite política mundial ao serviço dos grandes consórcios financeiros/económicos, com uma comunicação social completamente controlada, assistem entorpecidos, confundidos a toda esta selvajaria criminosa.
Acentuam-se drasticamente as desigualdades sociais na Europa e, nos EUA, as desigualdades sociais são ainda mais vincadas (ocupa o 40º lugar no índice Gini atrás de Portugal, índice 70º com a Suécia a constituir o país menos desigual no 136º posto) atingindo o valor mais elevado desde 1929 (400 norte americanos apenas possuem um rendimento igual ao de 155 milhões dos seus compatriotas).
A indústria militar, que absorve grande parte do orçamento militar dos EUA e que em 2011 ascende a 708 mil milhões de dólares, a maior de sempre, (Bush em 2009 ficou-se pelos 651 mil milhões), requer, para a sua própria sobrevivência que, periodicamente, seja utilizado o armamento produzido. Tendo em conta uma tão poderosa indústria militar e os elevadíssimos lucros que proporciona, facilmente se compreenderá que jamais o mundo terá paz. Os “senhores da guerra” forjarão sempre pretextos, mais ou menos sofisticados, para abrir novas frentes de guerra escoando os seus arsenais. A busca incessante de crescentes ganâncias, o que constitui em realidade o motor desta lógica de guerra, só terá fim quando os povos souberem romper com as políticas económicas e sociais deste capitalismo neoliberal, deste capitalismo financeiro, deste capitalismo selvagem, deste capitalismo imperial que se tornou dominante no mundo e provoca desigualdades sociais crescentes, baixos crescimentos económicos e predisposição para as guerras.

Marcadores: , ,