domingo, maio 01, 2011
quarta-feira, abril 27, 2011
O petróleo e a OTAN
A CIA por detrás da rebelião: O ataque euro-americano à Líbia nada tem a ver com 'proteção de civis'
O ataque euro-americano à Líbia não tem nada a ver com a protecção de ninguém; só os irremediavelmente ingénuos acreditam nesse disparate. É a reacção do Ocidente aos motins populares em regiões estratégicas, ricas em recursos e o início de actividades hostis contra o novo rival imperialista, a China.
O presidente Barack Obama já assegurou o seu lugar na História. É o primeiro presidente negro da América a invadir a África. O ataque à Líbia é chefiado pelo Comando África dos EUA (US África Command), instituído em 2007 para assegurar os lucrativos recursos naturais do continente, roubando-os às populações empobrecidas e à influência comercial da China, em crescimento rápido. A Líbia, juntamente com Angola e a Nigéria, é a principal fonte de petróleo da China. Enquanto os aviões americanos, britânicos e franceses vão incinerando líbios 'maus' e 'bons', assiste-se à evacuação de 30 mil trabalhadores chineses, provavelmente de forma permanente. As afirmações de entidades ocidentais e dos meios de comunicação de que 'um coronel Kadafi criminoso e enlouquecido' está a planear o 'genocídio' contra o seu próprio povo, continuam a carecer de provas. Isto faz recordar as afirmações fraudulentas que exigiram a 'intervenção humanitária' no Kosovo, a invasão do Iraque, o desmembramento final da Jugoslávia e a instalação da maior base militar americana na Europa.
Os pormenores também são conhecidos. Segundo se diz, os 'rebeldes pró-democracia' líbios são comandados pelo coronel Khalifa Haftar que, segundo um estudo da Fundação Jamestown americana, montou o Exército Nacional Líbio em 1988 "com forte apoio da CIA". Nos últimos 20 anos, o coronel Haftar tem vivido não muito longe de Langley, Virginia, o lar da CIA, que também lhe fornece um campo de treino. Os mujihadeen, que deram origem à al-Qaida, e o Congresso Nacional Iraquiano, que forjaram as mentiras de Bush/Blair sobre o Iraque, foram patrocinados por Langley, da mesma forma aceite por toda a gente.
Os outros líderes 'rebeldes' incluem Mustafa Abdul Jalil, ministro da Justiça de Kadafi até Fevereiro, e o general Abdel-Fattah Younes, que chefiou o ministério do Interior de Kadafi: ambos com estrondosas reputações de repressão brutal de dissidentes. Há uma guerra civil e tribal na Líbia, que inclui a rejeição popular contra a actuação de Kadafi em relação aos direitos humanos. Mas o que é intolerável para o ocidente não é a natureza do seu regime, é a independência da Líbia, numa região de vassalos; e esta hostilidade pouco mudou em 42 anos, desde que Kadafi derrubou o rei feudal Idris, um dos tiranos mais odiosos apoiados pelo ocidente. Kadafi, com os seus modos beduínos, hiperbólicos e bizarros, há muito que personaliza o 'lobo feroz' ideal (Daily Mirror), exigindo agora que os heróicos pilotos americanos, franceses e britânicos bombardeiem áreas urbanas em Trípoli, incluindo uma maternidade e um centro de cardiologia. O último bombardeamento americano em 1986 conseguiu matar a sua filha aditiva.
O que os americanos, os britânicos e os franceses têm esperança de conseguir é o oposto da libertação de um povo. Ao sabotar os esforços dos genuínos democratas e nacionalistas da Líbia para libertarem o seu país de um ditador e dos corrompidos pelas exigências estrangeiras, o som e a fúria de Washington, de Londres e de Paris conseguiram turvar a memória dos dias de esperança de Janeiro em Tunis e no Cairo e desviar muitos dos que tinham criado esperanças da tarefa de assegurar que as suas conquistas não fossem roubadas furtivamente. A 23 de Março, as forças militares egípcias, apoiadas pelos EUA, emitiram um decreto proibindo todas as greves e manifestações. Isto praticamente não foi notícia no ocidente. E agora, com Kadafi identificado com o demónio, Israel, o verdadeiro cancro, pode continuar a sua espoliação de terras e expulsões.
segunda-feira, março 21, 2011
A lógica da guerra

Mais uma vez estamos a assistir a um falso pretexto como justificação pela intervenção dos EUA e dos seus aliados na Líbia. Na verdade, os EUA nunca se preocuparam com a defesa das populações vítimas de ditadores. Não aconteceu assim ontem como não acontece hoje. Ditadores como Pinochet e Noriega ou como actualmente, neste mesmo momento, como o rei do Bahrein, Hamad Ben Isa Al Jalifa, ou como o rei Hamad do Yemen, que estão a matar e a massacrar as populações que se revoltam e manifestam, nunca foram nem são actualmente preocupação dos EUA e dos seus aliados. Como o não foi nem é o genocídio do Darfur. A questão é bem outra; só e apenas quando os ditadores deixam de servir os interesses económicos e estratégicos dos EUA, só nesse momento, os EUA e seus aliados se “preocupam” com os direitos humanos. Esta hipocrisia de tanto repetida já não convence ninguém. O que está verdadeiramente em causa, como aconteceu no Iraque (ali a mentira consistiu nas armas de “destruição maciça”) são os interesses estratégicos e económicos dos EUA.
A Líbia detém 3,5% das reservas mundiais de petróleo, mais que o dobro dos EUA, como é ainda local estratégico para a passagem de oleodutos e gasodutos. No Iraque, mais de 100.000 civis foram mortos desde 2003, as infra-estruturas de Saúde, Educação, Viárias, etc, foram destruídas e o país regrediu trinta anos, encontrando-se ocupado militarmente e em guerra civil permanente. Mais de 4.000 soldados americanos perderam a vida desde o início da intervenção norte americana à revelia da ONU. Contudo, os EUA asseguraram o controlo do petróleo iraquiano alcançando assim os seus objectivos. E o mundo, os povos, dominados por uma elite política mundial ao serviço dos grandes consórcios financeiros/económicos, com uma comunicação social completamente controlada, assistem entorpecidos, confundidos a toda esta selvajaria criminosa.
Acentuam-se drasticamente as desigualdades sociais na Europa e, nos EUA, as desigualdades sociais são ainda mais vincadas (ocupa o 40º lugar no índice Gini atrás de Portugal, índice 70º com a Suécia a constituir o país menos desigual no 136º posto) atingindo o valor mais elevado desde 1929 (400 norte americanos apenas possuem um rendimento igual ao de 155 milhões dos seus compatriotas).
A indústria militar, que absorve grande parte do orçamento militar dos EUA e que em 2011 ascende a 708 mil milhões de dólares, a maior de sempre, (Bush em 2009 ficou-se pelos 651 mil milhões), requer, para a sua própria sobrevivência que, periodicamente, seja utilizado o armamento produzido. Tendo em conta uma tão poderosa indústria militar e os elevadíssimos lucros que proporciona, facilmente se compreenderá que jamais o mundo terá paz. Os “senhores da guerra” forjarão sempre pretextos, mais ou menos sofisticados, para abrir novas frentes de guerra escoando os seus arsenais. A busca incessante de crescentes ganâncias, o que constitui em realidade o motor desta lógica de guerra, só terá fim quando os povos souberem romper com as políticas económicas e sociais deste capitalismo neoliberal, deste capitalismo financeiro, deste capitalismo selvagem, deste capitalismo imperial que se tornou dominante no mundo e provoca desigualdades sociais crescentes, baixos crescimentos económicos e predisposição para as guerras.
A indústria militar, que absorve grande parte do orçamento militar dos EUA e que em 2011 ascende a 708 mil milhões de dólares, a maior de sempre, (Bush em 2009 ficou-se pelos 651 mil milhões), requer, para a sua própria sobrevivência que, periodicamente, seja utilizado o armamento produzido. Tendo em conta uma tão poderosa indústria militar e os elevadíssimos lucros que proporciona, facilmente se compreenderá que jamais o mundo terá paz. Os “senhores da guerra” forjarão sempre pretextos, mais ou menos sofisticados, para abrir novas frentes de guerra escoando os seus arsenais. A busca incessante de crescentes ganâncias, o que constitui em realidade o motor desta lógica de guerra, só terá fim quando os povos souberem romper com as políticas económicas e sociais deste capitalismo neoliberal, deste capitalismo financeiro, deste capitalismo selvagem, deste capitalismo imperial que se tornou dominante no mundo e provoca desigualdades sociais crescentes, baixos crescimentos económicos e predisposição para as guerras.
Marcadores: capitalismo neoliberal, complexo militar industrial USA, Líbia
sexta-feira, março 04, 2011
LÍBIA NO GRANDE JOGO

Líbia no Grande Jogo: No caminho para a nova partilha da África
Graças às suas ricas reservas de óleo e gás natural, a Líbia possui uma balança comercial positiva de 27 bilhões de dólares ao ano e uma média alta de rendimento per capita de 12 mil dólares, seis vezes maior que a do Egipto. Apesar da forte desigualdade dos rendimentos baixas e altos, o padrão médio de vida da população da Líbia (apenas 6,5 milhões de habitantes em comparação com os quase 85 milhões no Egipto) é, portanto, maior do que o Egipto e outros países do Norte Africano. Testemunha o facto de que quase um milhão e meio de imigrantes, a maioria do Norte da África, trabalharem na Líbia. Cerca de 85% da energia exportada pela Líbia vai para a Europa: a Itália ocupa a primeira colocação, seguida pela França, pela Alemanha e pela China. A Itália também ocupa o primeiro lugar nas importações da Líbia, seguida pela China, Turquia e Alemanha.
Essa estrutura que agora vai pelos ares é o resultado de algo que não pode ser caracterizado como uma revolta das massas empobrecidas, como as rebeliões do Egipto e da Tunísia, mas uma verdadeira guerra civil, devido uma cisão no grupo dominante. Quem fez o primeiro movimento explorou o descontentamento, que prevalece especialmente entre as populações da Cirenaica e jovens nas cidades, contra o clã de Khadafi, num momento em que toda a África do Norte tomou o caminho da rebelião. Ao contrário do Egipto e da Tunísia, no entanto, a revolta da Líbia foi pré-planeada e organizada.
A reacção na arena internacional é bastante simbólica, Pequim diz estar extremamente preocupada com os acontecimentos na Líbia e pediu por um “retorno rápido à estabilidade e normalidade”. A razão é muito clara: o comércio Sino-Líbio teve um forte crescimento (cerca de 30% apenas em 2010), mas agora a China pode ver que toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, de quem as importações de petróleo são cada vez maiores, tem sido posta em causa. Moscovo está numa posição semelhante.
O sinal de Washington é diametralmente oposto: O presidente Barack Obama, que quando confrontado com a crise egípcio minimizou a repressão desencadeada por Mubarak e apelou a uma "transição ordenada e pacífica", condenou com veemência o governo líbio e anunciou que os EUA está preparando "o leque de opções que temos à disposição para responder a esta crise”, incluindo "acções que podemos realizar por conta própria e as que podemos coordenar com nossos aliados através de instituições multilaterais”. Essa mensagem é clara: Existe a possibilidade de uma intervenção EUA/OTAN na Líbia, formalmente para acabar com o derramamento de sangue. No entanto, as razões reais são evidentes: Se Kadhafi for derrotado, os Estados Unidos seriam capazes de derrubar toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, abrindo o caminho para a entrada das empresas estadunidenses, até agora quase completamente excluídas da exploração das reservas energéticas da Líbia. Os Estados Unidos poderiam, assim, controlar a torneira para as fontes de energia sobre a qual a Europa depende em grande medida e que também abastece a China.
A OTAN está agora também para entrar no jogo, pois está prestes a concluir um tratado de parceria militar com a African Union, que inclui 53 países.
A sede da parceria African Union-OTAN já está em construção em Addis Abeba: uma estrutura moderna, financiada pela Alemanha em 27 milhões de euros, baptizado de: "Construindo paz e segurança".
Graças às suas ricas reservas de óleo e gás natural, a Líbia possui uma balança comercial positiva de 27 bilhões de dólares ao ano e uma média alta de rendimento per capita de 12 mil dólares, seis vezes maior que a do Egipto. Apesar da forte desigualdade dos rendimentos baixas e altos, o padrão médio de vida da população da Líbia (apenas 6,5 milhões de habitantes em comparação com os quase 85 milhões no Egipto) é, portanto, maior do que o Egipto e outros países do Norte Africano. Testemunha o facto de que quase um milhão e meio de imigrantes, a maioria do Norte da África, trabalharem na Líbia. Cerca de 85% da energia exportada pela Líbia vai para a Europa: a Itália ocupa a primeira colocação, seguida pela França, pela Alemanha e pela China. A Itália também ocupa o primeiro lugar nas importações da Líbia, seguida pela China, Turquia e Alemanha.
Essa estrutura que agora vai pelos ares é o resultado de algo que não pode ser caracterizado como uma revolta das massas empobrecidas, como as rebeliões do Egipto e da Tunísia, mas uma verdadeira guerra civil, devido uma cisão no grupo dominante. Quem fez o primeiro movimento explorou o descontentamento, que prevalece especialmente entre as populações da Cirenaica e jovens nas cidades, contra o clã de Khadafi, num momento em que toda a África do Norte tomou o caminho da rebelião. Ao contrário do Egipto e da Tunísia, no entanto, a revolta da Líbia foi pré-planeada e organizada.
A reacção na arena internacional é bastante simbólica, Pequim diz estar extremamente preocupada com os acontecimentos na Líbia e pediu por um “retorno rápido à estabilidade e normalidade”. A razão é muito clara: o comércio Sino-Líbio teve um forte crescimento (cerca de 30% apenas em 2010), mas agora a China pode ver que toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, de quem as importações de petróleo são cada vez maiores, tem sido posta em causa. Moscovo está numa posição semelhante.
O sinal de Washington é diametralmente oposto: O presidente Barack Obama, que quando confrontado com a crise egípcio minimizou a repressão desencadeada por Mubarak e apelou a uma "transição ordenada e pacífica", condenou com veemência o governo líbio e anunciou que os EUA está preparando "o leque de opções que temos à disposição para responder a esta crise”, incluindo "acções que podemos realizar por conta própria e as que podemos coordenar com nossos aliados através de instituições multilaterais”. Essa mensagem é clara: Existe a possibilidade de uma intervenção EUA/OTAN na Líbia, formalmente para acabar com o derramamento de sangue. No entanto, as razões reais são evidentes: Se Kadhafi for derrotado, os Estados Unidos seriam capazes de derrubar toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, abrindo o caminho para a entrada das empresas estadunidenses, até agora quase completamente excluídas da exploração das reservas energéticas da Líbia. Os Estados Unidos poderiam, assim, controlar a torneira para as fontes de energia sobre a qual a Europa depende em grande medida e que também abastece a China.
A OTAN está agora também para entrar no jogo, pois está prestes a concluir um tratado de parceria militar com a African Union, que inclui 53 países.
A sede da parceria African Union-OTAN já está em construção em Addis Abeba: uma estrutura moderna, financiada pela Alemanha em 27 milhões de euros, baptizado de: "Construindo paz e segurança".


