terça-feira, dezembro 14, 2010

Sair do euro


Sair da zona do euro pode ser o único caminho para a recuperação

A dissolução da zona do euro não significa condená-la para sempre. Os países podem voltar a participar. Por ora, a região pode muito bem ter chegado ao ponto em que um divórcio amistoso é uma opção melhor do que anos de declínio económico e atrito político.
Assim, o problema real na Europa não é que a Espanha ou a Irlanda tenham tomado grandes empréstimos ou que muita dívida espanhola e irlandesa esteja nos balanços patrimoniais de bancos noutros países da Europa. Afinal de contas, quem se importa com o défice em conta corrente da Flórida - ou mesmo sabe o que isso significa? Não, o problema real é que a Europa não criou instituições abrangentes em nível da União como um todo que um mercado financeiro integrado exige.
Isso reflecte a ausência de instituições políticas centrais adequadas. A União Europeia nos ensinou lições valiosas ao longo das últimas décadas: primeiro, que a integração financeira exige a eliminação da volatilidade entre moedas nacionais; que a erradicação de riscos cambiais demanda a eliminação total das moedas nacionais; e agora nos mostra que a união monetária é impossível entre democracias sem união política.
Infelizmente, agora pode ser tarde demais para a zona euro. A Irlanda e os países da Europa meridional precisam reduzir sua dívida e melhorar significativamente a competitividade de suas economias. É difícil ver como eles podem atingir os dois objectivos permanecendo na zona euro.
Os socorros à Grécia e à Irlanda são apenas paliativos temporários: em nada contribuem para reduzir o endividamento, e a ajuda não deteve o contágio. Além disso, a austeridade fiscal que receitam retarda a recuperação económica. A ideia de que reformas estrutural e no mercado de trabalho podem produzir crescimento rápido não passa de uma miragem. Assim, a necessidade de reestruturação da dívida é uma realidade inevitável
A dissolução da zona do euro não significa condená-la para sempre. Os países podem voltar a participar, e fazê-lo com credibilidade, quando os pré-requisitos fiscais, normativos e políticos estiverem assegurados. Por ora, a zona do euro pode muito bem ter chegado ao ponto em que um divórcio amistoso é uma opção melhor do que anos de declínio económico e atrito político.

Dani Rodrik
(Dani Rodrik é professor de Economia Política na Escola de Governo John F Kennedy, na Universidade Harvard, e autor de "One economics, many recipes: globalization, institutions, and economic growth").

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segunda-feira, novembro 29, 2010

Portugal e o euro.


No período 1992-2001, a taxa média anual de crescimento económico na Zona Euro foi de 2,1% enquanto que em Portugal foi de 2,9%.
Com a nossa entrada no euro em Janeiro de 2002, com os Pactos de Estabilidade, com os “ajustamentos” da nossa economia aos desígnios da EU, deu-se precisamente o inverso. Portugal passou a decrescer mais do que a EU. Entre 2002 e 2009, a média das taxas de crescimento na Zona do Euro baixou para 1%, mas a de Portugal desceu mais ainda, para apenas 0,4%.
As previsões do FMI para o período 2010 -2015 revelam que este declínio vai continuar. Segundo o FMI a média das taxas anuais de crescimento anuais no período 2010-2015 será de 1,4% na Zona do Euro e de somente 0,8% em Portugal.

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