segunda-feira, agosto 01, 2011

RENDIÇÃO DE OBAMA

RENDIÇÃO DE OBAMA AO ARROCHO FISCAL INAUGURA NOVA ERA DA INCERTEZA E SINALIZA MAIS RECESSÃO: BOLSAS DESPENCAM EM TODO O MUNDO

Os mercados fazem gato e sapato de Obama. Depois do acordo fiscal leonino imposto ao democrata, que penaliza os pobres e poupa os ricos, precificam a instabilidade política e o agravamento recessivo que isso acarretará derrubando as bolsas de todo o mundo nesta 2º feira, horas antes da votação do pacote orçamentário. O capitalismo americano não iria acabar, fosse qual fosse o resultado do impasse fiscal no Congresso. Mas o desfecho esboçado nesta noite de domingo é quase uma rendição de Obama ao Tea Party, tendo merecido a repulsa da esquerda do partido Democrata. Formada por cerca de 70 parlamentares ela vocaliza os setores da sociedade que mais se engajaram na eleição de Obama. A proposta a ser votada nas próximas horas rompe as bases desse engajamento, põe em risco a reeleição democrata e fixa uma nova referencia de crise política dentro da crise financeira mundial. Obama não se mostrou uma alternativa histórica capaz de contrastar os interesses enfeixados pela supremacia das finanças desreguladas. Ao contrário de Roosevelt, em pleno colapso econômico, abraça um plano de arrocho fiscal que imobiliza o Estado e torna ainda mais incerta a recuperação americana e mundial. Pior que isso. A crise fiscal evidenciou a monopolização do sistema político norte-americano por uma direita extremista, filha da madrassa neoliberal ativada nas últimas décadas.Embebida em um laissez-faire rudimentar, indissociável de uma visão de mundo belicista, ela busca compensar a desordem intrínseca a sua ideologia com uma pregação moralista e religiosa de sociedade. Ao ceder em quase tudo o que exigia a ortodoxia extremista, Obama coloca a população pobre dos EUA na linha de tiro de cortes que podem chegar a US$ 3 trilhões em dez anos. Em contrapartida, seu plano de elevar a receita com maior imposto sobre os ricos foi engavetado. A rendição de Obama coloca o mundo à mercê de forças incapazes de exercer o poder americano com algum equilíbrio e discernimento. Ademais de irradiar instabilidade financeira, os EUA se transformam em fator de insegurança política global. A negociação orçamentária escancarou o que estava subentendido e consolidou uma dimensão atemorizante do passo seguinte da história. Os países em desenvolvimento devem extrair lições esse episódio. Mas, sobretudo, blindar sua agenda econômica e social contra os solavancos implícitos na nova era da incerteza
(Carta Maior; 2ª feira, 01/08)

Marcadores:

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Obama


O presidente dos EUA, Barack Obama, assinou na sexta-feira (14.01.11) um projecto de lei que inclui uma medida proibindo que suspeitos presos em Guantánamo sejam transferidos aos EUA para julgamento. A medida é um golpe nas promessas de campanha de Obama de fechar o complexo prisional e julgar os detidos em tribunais federais.
“Apesar de minha forte objecção a essas determinações, às quais meu governo se tem oposto de forma consistente, assinei essa medida por causa da importância de autorizar recursos para, entre outras coisas, nossas actividades militares em 2011", disse Obama em comunicado.

HISTÓRICO
A prisão de Guantánamo foi aberta em 11 de Janeiro de 2002 pelo então presidente George W. Bush para os prisioneiros de sua “guerra contra o terrorismo”.
Desde então, os Estados Unidos mantêm centenas de pessoas presas sem julgamento, acusação ou acesso a advogados, em condições muitas vezes denunciadas por organizações de direitos humanos.
Actualmente Guantánamo tem 174 detidos, dos quais apenas três foram julgados.
Obama assinou um decreto em 22 de Janeiro de 2009 para fechar a prisão em um ano, mas o Congresso o impediu de fazê-lo, permitindo apenas que os prisioneiros entrassem nos Estados Unidos para serem processados

Marcadores: ,

sexta-feira, janeiro 07, 2011

obama, a paz e a guerra


Obama, propôs um orçamento militar para 2011, 6% maior do que Bush havia feito em seu último ano de governo.
A grande máquina de guerra dos EUA custa 1,5 tilhões de dólares ao ano (o equivalente ao PIB brasileiro).
Os EUA mantêm 560 bases militares fora de seu território, muitas delas herança que se mantém desde o final da Segunda Grande Guerra, há 65 anos.

Marcadores: ,

domingo, novembro 28, 2010


A rendição de Obama aos super-ricos

Ninguém protestou realmente quando o presidente e seu assessor David Axelrod soltaram um balão de ensaio nas últimas semanas, insinuando que os cortes de impostos de Bush para os 2% mais ricos vão se prolongar “somente” durante os próximos dois anos. Para todos os efeitos, o eufemismo “durante os próximos dois anos” significa, na verdade, para sempre – ou ao menos o tempo suficiente para que os super-ricos tenham tempo de mobilizar os recursos necessários e financiar os Republicanos necessários, para que estes, uma vez eleitos, façam dos cortes algo permanente.

Privilégios para 2% da população
É como se Obama estivesse fazendo campanha para sua própria derrota. Graças em grande parte ao resgate de Wall Street no valor de 13 bilhões de dólares – enquanto a dívida dos EUA seguia crescendo para o resto dos 98% mais pobres do país. Este agraciado sector de 2% da população recebe agora aproximadamente três quartos de todos os dividendos que produz a riqueza nacional (entre lucros, rendas e ganhos de capital). Isso é quase o dobro do que recebiam uma geração atrás. Enquanto isso, o resto da população é chamado a apertar o cinto, com montes de hipotecas em via de execução que estão deixando muita gente sem suas casas.

Baudelaire brincava dizendo que o diabo ganha justamente no momento em que consegue convencer a todos de que ele não existe. As elites financeiras de hoje vão ganhar a guerra de classes no momento em que conseguirem convencer o eleitor de que não existe tal guerra. E Obama está tratando de ajudar-lhes.

Trata-se da velha demagogia desavergonhada. Chegou o momento em que se deveria acabar com as isenções fiscais para o sector financeiro. Mas Obama vai em frente e pretende-nos convencer de que “dois anos mais” vão nos ajudar a sair desta crise creditícia. Mas os planos dos Republicanos são avançar no Congresso e no Senado em 2012, na medida em que os eleitores de Obama vão optando por ficar em casa, como fizeram no início de Novembro. Assim que “dois anos” significa, em termos políticos, para sempre. Por que votar em um político que promete “mudanças”, mas logo transforma essa promessa em uma mera exclamação, que na verdade segue com as políticas de Bush e Cheney no Afeganistão e no Iraque e também as do Wall Street’s Democratic Leadership Council, da ala direita de seu partido? Depois de tudo, um dos líderes desse Conselho foi precisamente Joe Lieberman, o mentor de Obama no Senado.

O peixe grande come o peixe pequeno
O axioma político que está operando aqui é “o peixe grande come o pequeno”. Com a chegada das vacas magras não há arrecadação suficiente para seguir inchando as fortunas dos super-ricos e, ao mesmo tempo, pretender dispor de recursos suficientes para pagar as pensões e os auxílios sociais prometidos tanto aos cidadãos estadunidenses quanto aos europeus. Alguém tem que ceder e os ricos demonstraram ser bastante espertos para tomar a iniciativa. Para ter uma visão antecipada do que vai acontecer nos EUA, fixem-se na luta da Europa neoliberal desencadeada contra a classe média e trabalhadora na Grécia, Irlanda ou Letônia.
(Michael Hudson - New Economic Perspectives)

Marcadores: ,

terça-feira, março 23, 2010

Parabéns Obama


Quando a Europa vira as costas aos seus cidadãos e os obriga a suportar os custos de uma crise, de que não foram minimamente responsáveis, através de aumento de impostos e de “reformas” que se traduzem em cortes nas funções sociais do Estado, Obama, ao contrário, avança com uma verdadeira reforma na Saúde. Com a universalização dos cuidados de saúde agora aprovada vai proporcionar cuidados de saúde a 33 milhões de cidadãos americanos, cidadãos que até aqui não tinham qualquer tipo de sistema de saúde e se encontravam completamente desamparados. É uma reforma com um alcance extraordinário e à revelia dos grandes interesses instalados das companhias seguradoras. Uma reforma que vai custar 940 mil milhões de dólares em 10 anos.
É uma nova América esta. Pela primeira vez contrária às medidas neoliberais que a União Europeia insiste em prosseguir. Uma UE preocupada apenas com os interesses das oligarquias económico-financeiras especulativas, responsáveis pela “crise”, e desprezando em absoluto o cidadão europeu. Com PECs e outras restrições semelhantes, insiste em obrigar o cidadão a suportar do seu bolso as perdas daquelas oligarquias, ávidas de repor quanto antes as ganâncias perdidas. A Comissão Europeia não é senão o comité de gestão dos negócios comuns das oligarquias financeiras especulativas.

Marcadores: ,