sexta-feira, setembro 16, 2011

A Libia e a OTAN

É preciso ser muito ingênuo ou mal informado, para seguir pensando que a “Guerra da Líbia”, foi feita em nome dos “direitos humanos” e da “democracia”. E ainda por cima, acreditar que o governo de Muamar Gaddafi foi derrotado pelos “rebeldes” que aparecem nos jornais, em poses publicitárias. Tudo isto, enquanto a aviação inglesa comanda o ataque final das forças da OTAN, à cidade de Sirta, depois de ter conquistado a cidade de Trípoli. Até o momento, a “primavera árabe” não produziu nenhuma mudança de regime na região, mesmo na Tunísia e no Egito, e não há nenhuma garantia de que os novos governos sejam mais democráticos, liberais ou humanitários que seus antecessores. Até porque, quase todos os seus líderes ocuparam posições de destaque nos governos que ajudaram a derrubar, com o apoio de uma multidão heterogênea e desorganizada. Sendo que, no caso da Líbia, não se pode nem mesmo falar de algo parecido a uma “mobilização massiva e democrática” da oposição, porque se trata de fato de uma guerra selvagem e sem quartel, entre regiões e tribos inimigas, que foram mobilizadas e “pacificadas” transitoriamente, pelas forças militares da OTAN.
Segundo Lord Ismay, que foi o primeiro Secretário Geral da OTAN, o objetivo da aliança militar criada pelo Tratado do Atlântico Norte, assinado em 1949, era “manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães para baixo”. E este objetivo foi cumprido plenamente, durante todo o período da Guerra Fria. Mas depois de 1991, a OTAN passou por um período de “crise de identidade” e redefinição do seu papel dentro sistema internacional. Num primeiro momento, a organização militar se voltou para o Leste e para a ocupação/incorporação de alguns países da Europa Central que haviam pertencido ao Pacto de Varsóvia. Além disto decidiu participar diretamente das guerras do Kosovo e da Sérvia. E ao mesmo tampo, lançou, em 1994, um projeto de intercambio militar e de segurança, com os países árabes do norte da África, o chamado “Diálogo Mediterrâneo”. Dez anos depois, na sua reunião de cúpula de 2004, em Istambul, os dirigentes da OTAN decidiram expandir o seu projeto de segurança e criaram a “Iniciativa de Cooperação de Istambul” (ICI), voltada para os países do Oriente Médio. Além disto, neste mesmo período, a OTAN, que não havia apoiado as guerras do Afeganistão e do Iraque, decidiu aderir e colocar-se ao lado das tropas anglo-americanas, instalando suas forças também na Ásia Central.
Assim mesmo, o que se deve esperar que ocorra depois da guerra? Na Líbia, haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da OTAN. Ao mesmo tempo, estará dado um passo decisivo na construção de uma força de intervenção “ocidental”, capaz de projetar seu poder militar sobre todo o território islâmico do Grande Médio Oriente. E de passagem, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da OTAN, na África. Triste sina da África!
José Luís Fiori em “outraspalavras”

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quarta-feira, abril 27, 2011

O petróleo e a OTAN

A CIA por detrás da rebelião: O ataque euro-americano à Líbia nada tem a ver com 'proteção de civis'

O ataque euro-americano à Líbia não tem nada a ver com a protecção de ninguém; só os irremediavelmente ingénuos acreditam nesse disparate. É a reacção do Ocidente aos motins populares em regiões estratégicas, ricas em recursos e o início de actividades hostis contra o novo rival imperialista, a China.
O presidente Barack Obama já assegurou o seu lugar na História. É o primeiro presidente negro da América a invadir a África. O ataque à Líbia é chefiado pelo Comando África dos EUA (US África Command), instituído em 2007 para assegurar os lucrativos recursos naturais do continente, roubando-os às populações empobrecidas e à influência comercial da China, em crescimento rápido. A Líbia, juntamente com Angola e a Nigéria, é a principal fonte de petróleo da China. Enquanto os aviões americanos, britânicos e franceses vão incinerando líbios 'maus' e 'bons', assiste-se à evacuação de 30 mil trabalhadores chineses, provavelmente de forma permanente. As afirmações de entidades ocidentais e dos meios de comunicação de que 'um coronel Kadafi criminoso e enlouquecido' está a planear o 'genocídio' contra o seu próprio povo, continuam a carecer de provas. Isto faz recordar as afirmações fraudulentas que exigiram a 'intervenção humanitária' no Kosovo, a invasão do Iraque, o desmembramento final da Jugoslávia e a instalação da maior base militar americana na Europa.
Os pormenores também são conhecidos. Segundo se diz, os 'rebeldes pró-democracia' líbios são comandados pelo coronel Khalifa Haftar que, segundo um estudo da Fundação Jamestown americana, montou o Exército Nacional Líbio em 1988 "com forte apoio da CIA". Nos últimos 20 anos, o coronel Haftar tem vivido não muito longe de Langley, Virginia, o lar da CIA, que também lhe fornece um campo de treino. Os mujihadeen, que deram origem à al-Qaida, e o Congresso Nacional Iraquiano, que forjaram as mentiras de Bush/Blair sobre o Iraque, foram patrocinados por Langley, da mesma forma aceite por toda a gente.
Os outros líderes 'rebeldes' incluem Mustafa Abdul Jalil, ministro da Justiça de Kadafi até Fevereiro, e o general Abdel-Fattah Younes, que chefiou o ministério do Interior de Kadafi: ambos com estrondosas reputações de repressão brutal de dissidentes. Há uma guerra civil e tribal na Líbia, que inclui a rejeição popular contra a actuação de Kadafi em relação aos direitos humanos. Mas o que é intolerável para o ocidente não é a natureza do seu regime, é a independência da Líbia, numa região de vassalos; e esta hostilidade pouco mudou em 42 anos, desde que Kadafi derrubou o rei feudal Idris, um dos tiranos mais odiosos apoiados pelo ocidente. Kadafi, com os seus modos beduínos, hiperbólicos e bizarros, há muito que personaliza o 'lobo feroz' ideal (Daily Mirror), exigindo agora que os heróicos pilotos americanos, franceses e britânicos bombardeiem áreas urbanas em Trípoli, incluindo uma maternidade e um centro de cardiologia. O último bombardeamento americano em 1986 conseguiu matar a sua filha aditiva.
O que os americanos, os britânicos e os franceses têm esperança de conseguir é o oposto da libertação de um povo. Ao sabotar os esforços dos genuínos democratas e nacionalistas da Líbia para libertarem o seu país de um ditador e dos corrompidos pelas exigências estrangeiras, o som e a fúria de Washington, de Londres e de Paris conseguiram turvar a memória dos dias de esperança de Janeiro em Tunis e no Cairo e desviar muitos dos que tinham criado esperanças da tarefa de assegurar que as suas conquistas não fossem roubadas furtivamente. A 23 de Março, as forças militares egípcias, apoiadas pelos EUA, emitiram um decreto proibindo todas as greves e manifestações. Isto praticamente não foi notícia no ocidente. E agora, com Kadafi identificado com o demónio, Israel, o verdadeiro cancro, pode continuar a sua espoliação de terras e expulsões.

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sábado, novembro 20, 2010

Lo de Lisboa, puro teatro


Lo de Lisboa, puro teatro
20 NOV 2010 09:45

Tarin Kot (Afganistán).- Sonrisas ante las cámaras, trajes de chaqueta y peinados de peluquería. La cumbre de la OTAN en Lisboa se ve, estando en Afganistán, como si se tratara de algo de otro mundo, a pesar de que lo que se habla allí es precisamente de este país. O al menos eso es lo que se dice, aunque a veces te entran serias dudas.
“La OTAN prevé que España ceda en 2012 el control de su provincia afgana”, “La OTAN confía plenamente que abandonará Afganistán en 2014”, “La Alianza Atlántica ve posible traspasar la seguridad a Afganistán antes de lo previsto” son algunos de los titulares sobre la cumbre que la prensa española ha publicado en las últimas horas.
Aquí, en Uruzgán, la provincia del sur de Afganistán en la que me encuentro y de donde Holanda empezó a retirar sus tropas en agosto, los policías y soldados afganos, que son los que en teoría deberán encargarse en solitario de la seguridad del país cuando las tropas internacionales se vayan, no tienen ni idea de que a más de seis mil kilómetros de distancia se está decidiendo que ellos tendrán que cargar con el muerto.
Ya ahora están pagando un alto precio: por ejemplo, entre enero de 2007 y octubre de 2008, el ejército afgano perdió 505 militares, y la policía, 1.215 agentes. Esta semana en Uruzgán tres policías más murieron como consecuencia de un artefacto explosivo.
“Cuando a finales de 2009, el presidente Obama fijó la fecha para el inicio de salida en julio de 2011 no se habían cumplido ninguno de los objetivos estratégicos de la intervención internacional en materia de seguridad, gobernanza y desarrollo, ni se habían conseguido los objetivos fijados en la de la estrategia de seguridad aplicada hasta entonces. El relevo, en lugar de culminar un proceso de transición, se ha convertido en la apertura del mismo”.
La ministra de Defensa, Carme Chacón, es miembro del patronato del Real Instituto Elcano. Así pues, ella sabe bien, como todos los asistentes a la cumbre de la OTAN, que lo de Lisboa es puro teatro porque nadie tiene ni idea de qué pasará en Afganistán.
(Mónica Bernabé, Elmundo)

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