quinta-feira, março 15, 2012

Denunciamos a campanha de desinformação sobre a dívida grega e o plano de resgate dos credores privados

Quinta-feira passada, mais de 80 % dos credores privados (bancos, seguradoras, fundos de pensão, etc.) aceitaram participar na reestruturação da dívida grega, apagando da sua contabilidade 107.000 milhões de euros. Sobre o papel, estes credores renunciaram a 52 % dos seus créditos. Mas contrariamente às aparências, o CADTM afirma que esta operação é sobretudo uma óptima notícia para os bancos gregos e europeus (principalmente franceses e alemães), e de nenhuma maneira para o povo grego que sofrerão novos cortes do seu nível de vida.
Com efeito, os credores e o governo grego colocaram em marcha uma complexa montagem: os credores privados trocarão os seus títulos de dívida grega por uns novos de um valor (fiscal) inferior. Por exemplo, por una obrigação de um valor inicial de 100 euros, os credores receberão em troco um novo título com um valor facial de 46,5 euros. Contudo, não perdem com este pequeno jogo já que os títulos a trocar se vendiam no mercado secundário a um valor muito menor, entre 15 e 30 euros, enquanto com esta permuta obtêm títulos muito mais seguros. Alem do mais, a Troica concede um novo empréstimo de 130.000 milhões de euros na condição de que essa soma seja utilizada para pagar a dívida e sustentar os bancos. Assim, quando todos os grandes meios de comunicação repetem a cantilena oficial segundo a qual a dívida grega foi reduzida em 107.000 milhões de euros, esquecem-se de falar dos 130.00 milhões de novos créditos, que evidentemente a aumentarão. Por outro lado, substituem-se por credores públicos internacionais (BCE, Estados da zona euro, FMI) que exercerão uma pressão constante sobre as autoridades gregas com o consequente agravamento das medidas anti sociais.
E para completar o quadro, enquanto em caso de litígio 85 % dos antigos títulos dependiam da legislação grega, os novos títulos dependerão totalmente da justiça de Londres. O objectivo dos credores é limitar a possibilidade de que a Grécia decrete un default ou um repúdio da dívida.
Para o CADTM, este novo plano é um engano dado que, com o pretexto de ajudar o país, o que se resolveu foi o problema aos credores privados que sem dúvida têm uma enorme responsabilidade no endividamento da Grécia. Os bancos utilizaram uma parte do dinheiro público injectado para salvá-los da quebra em 2008-2009 na especulação com a dívida grega e obtiveram grandes benefícios, antes de empurrar o país para a grave crise que actualmente sofre.
12 de Março por Damien Millet, Sonia Mitralias, Yorgos Mitralias, Eric Toussaint, Renaud Vivien
(Ler em CADTM, Comité para Anulação da Dívida do Terceiro Mundo)

Marcadores: , ,

terça-feira, maio 17, 2011

A Troika


A única imagem de futuro que se apresenta é o fracasso do presente.

Uma vez mais, os líderes dos partidos da área do poder, não mostraram grande vigor na “negociação” do pacote de resgate a Portugal. Aceitaram as imposições vindas de Bruxelas e do FMI sem qualquer oposição, elogiando mesmo as medidas restritivas nele contidas. Alguns até, prometem “ir mais longe” que o próprio documento saído da Troika.
Este pacote é igual a tantos outros que o FMI vem impondo aos países em dificuldades, por esse mundo fora. A receita é sempre igual – privatizações das empresas estatais rentáveis, com a criação de novas áreas de negócio ao privado; embaratecimento do trabalho, através do aumento do desemprego e de uma nova reformulação das leis laborais, facilitando o despedimento e aumentando o horário de trabalho; cortes sociais e aumento de impostos sobre o trabalho, com vincada redução dos apoios sociais à família, ao desemprego, aos idosos; redução das funções sociais do Estado, convertendo-o em estado mínimo atribuindo ao sector privado as áreas da Saúde e Educação. Numa palavra, todo o cardápio neoliberal conhecido. Os resultados também são conhecidos – aumento acelerado das desigualdades sociais; piores condições de vida das populações; aumento da pobreza; menor crescimento económico.
É difícil de compreender que Bruxelas avance com programas de resgate nos países em dificuldades da UE em tudo idênticos aos já testados por esse mundo fora, conhecendo de antemão os maus resultados económicos que daí resultam. Na verdade, não deveria ser do interesse da UE o enfraquecimento económico de qualquer país da união. Ao contrário, deveria consistir num seu objectivo estratégico o fortalecimento económico de um qualquer país por mais periférico que fosse porque tal contribuiria para o fortalecimento conjunto da UE. Não é contudo o que acontece. E não o será porque a UE sofre de uma contradição que muito provavelmente ditará o seu enfraquecimento e mesmo o seu desmoronamento num futuro próximo. As medidas neoliberais impostas por Bruxelas tornam-se incompatíveis com o desenvolvimento económico dos países economicamente mais fracos, gerando assim cada vez maiores desigualdades entre os países da comunidade, mal-estar social e provocando um descrédito da UE entre os seus cidadãos. A convergência social e económica entre os países da união, propagandeada pelas elites governamentais europeias, não passa de um mito, de uma falácia. As políticas neoliberais de Bruxelas longe de atenuarem as desigualdades económicas e sociais entre os países acentuaram antes as suas diferenças, provocando que os países mais ricos da união se tornassem mais ricos e os países mais pobres se tornassem mais pobres ainda.
Não existe solidariedade europeia nem qualquer objectivo comum de convergência social. O que se assiste é ao recrudescimento dos interesses individuais de cada país. As condições impostas nos resgates demonstram-no bem. Prazos curtos e juros insuportáveis, chegando-se mesmo ao inconcebível de ser a UE a impor juros mais altos que o próprio FMI.
Estranho e impensável também, terá sido a assinatura do programa da Troika pelo CDS, PSD e PS antes mesmo de conhecerem os juros a aplicar ao empréstimo. Pelos vistos, uma questão fundamental, o valor dos juros, não lhes mereceu “negociação” ou qualquer reserva. Um juro de 5,5% a 6% e prazos tão curtos, tornam inviável o cumprimento das obrigações do resgate dadas as debilidades económicas e financeiras em que o país se encontra. O nosso “esforço fiscal” é o maior dos países da zona euro a grande distância do segundo, e a receita dos impostos já ultrapassou o seu “ponto de equilíbrio” a partir do qual impostos mais elevados não se traduzem em maior receita. Torna-se incompreensível a passiva aceitação das imposições da Troika por parte do governo, do CDS e do PSD.
Mas haveria margem para uma verdadeira negociação encontrando-se o país tão financeira e orçamentalmente desesperado como se encontra?
Na verdade existia. Não é do interesse dos países mais poderosos da UE que um dos países da união se torne insolvente e deixe de pagar os juros e as suas dívidas. O colapso de um país provocaria um imediato enfraquecimento do euro, tumultuosas convulsões financeiras no espaço europeu, o descrédito da própria UE e tudo o mais que se seguiria de difícil antevisão mas demasiado prejudicial aos interesses do capital financeiro e económico de uma Alemanha ou de uma França. É por esta razão que, sem grandes alardes, se estão a renegociar novos empréstimos e novas condições à Grécia concedidos e "negociados" à menos de um ano. O mesmo acontecerá muito em breve a Portugal.


Marcadores: , ,

segunda-feira, maio 02, 2011

mais dívida

Despejar mais dívida por cima das desgraças acumuladas de Portugal nada fará para ressuscitar a economia. A dívida de Portugal é totalmente insustentável – em grande medida resultado de empréstimos privados irresponsáveis ao longo da última década. Aqueles responsáveis estão a ser salvos, aqueles que não são sofrem as dores. Foi isto que a Islândia se recusou a fazer.
O povo da Islândia ergueu-se pela sua soberania. O seu futuro parece consideravelmente mais brilhante do que o da Irlanda ou de Portugal. O povo da Grécia está apenas a começar a sua luta. Os resultados terão um impacto monumental sobre o combate contra a pobreza e a desigualdade em todo o mundo.

Marcadores:

sexta-feira, abril 08, 2011


Outra vez o engano dos resgates: Agora em Portugal

Os problemas económicos que Portugal tem não são exactamente o resultado de que tenha havido muita despesa pública, de endividamento público. É verdade que o défice aumentou muito nos dois últimos anos, mas isso produziu-se como consequência da crise que os bancos provocaram e de que se tenha imposto uma resposta a ela baseada justamente em salvá-los à custa de um preço extraordinariamente alto. De facto, o governo português, seguindo directrizes e exemplos europeus e a pressão dos próprios poderes financeiros, chegou a nacionalizar bancos em operações que lhe custaram muito caro.

Mas nem sequer é isso o que provoca os problemas mais agudos da economia portuguesa. O seu problema mais grave não é o endividamento público, mas o externo, e este vem-se produzindo nos últimos anos não precisamente porque tenha havido esbanjamento público, mas como consequência das políticas neoliberais que destruíram a sua riqueza produtiva, a sua indústria e agricultura e que lhe limitaram as fontes de criação de rendimentos já por si débeis. Como em tantos outros países, foram estas políticas geradoras de escassez em prol de salvar o lucro dos grandes grupos oligárquicos e que obrigaram Portugal a vender os seus melhores activos produtivos ao capital estrangeiro, as que destruíram o tecido industrial e a produção agrária e as que assim provocaram um enfraquecimento da sua capacidade de criar um arranque económico, da sua competitividade e, como consequência disso, o aumento da dívida externa.

A realidade é que as políticas neoliberais auspiciadas pela União Europeia significaram um espartilho letal para a economia portuguesa e que foram produzindo nos últimos anos um aumento do desemprego e da pobreza que se tratou de dissimular, entre outros meios, graças ao facto do domínio dos grandes meios de comunicação estar cada vez mais nas mãos desses mesmos capitais estrangeiros.

Marcadores: ,

segunda-feira, março 28, 2011

o resgate

O BCE recomenda a Portugal que solicite quanto antes o resgate

Lisboa precisa refinanciar 10.000 milhões de euros em dois meses. O membro do BCE Ewald Nowotny afirma que seria "recomendavel" o seu resgate. O governador do Banco Central da Austria, Ewald Nowotny, membro do conselho do Banco Central Europeo (BCE), assinalou este fim de semana que sob o ponto de vista económico sería "recomendavel" que Portugal solicite quanto antes o resgate à UE e ao Fundo Monetario Internacional (FMI). Neste sentido, segundo Nowotny, a emissão de dívida prevista para Abril será a chave para determinar ou não o resate de Lisboa.

Marcadores: ,

terça-feira, fevereiro 15, 2011

O dia do resgate aproxima-se.
Juros da Dívida Pública em 13.02.2011, a dois anos 5,493%, a cinco anos 6,885% e a dez anos 7,577%.

Repare-se que em 2009 os juros eram, respeciivamente, de 1,730%, 3,169% e 4,227%.

Marcadores: