eles e nós

Não responsabilizem os cidadãos, não responsabilizem os portugueses pelo estado miserável a que chegaram as contas nacionais. Não nos digam que estamos a viver acima das nossas possibilidades. A média mensal dos salários dos portugueses é a mais baixa da EU a 15, cerca de 850 euros ficando a Grécia, país que nos segue nos mais baixos salários, mas já muito distante de nós, com 1.300 euros.
É certo que a despesa pública primária é relativamente elevada, mas atenção, não são os portugueses, a generalidade dos cidadãos que colhe os benefícios desta despesa pública elevada. Já demonstrámos como este dinheiros públicos são usurpados por uma classe política que os desbarata em seu proveito pessoal, protegida pelo sistema corrupto institucional que tão bem soube urdir ao longo dos últimos anos. Se a despesa pública é elevada não é porque os portugueses usufruam dos benefícios que uma tal despesa faria supor. Hoje suportamos um esforço fiscal superior (em valores relativos) aos de uma Suécia mas estamos a anos-luz dos apoios sociais que este país proporciona aos seus cidadãos.
Portanto, não sejam cínicos ao ponto de atribuir às vítimas o papel de carrascos. Conhecemos os vossos métodos. Manipulando os meios de comunicação social ides procurar manter os vossos privilégios lançando apelos “patrióticos” e tentando forçar os cidadãos a aceitar mais sacrifícios, unidos, num único bloco central de interesses de classe oligárquica.
Em 1996, a nossa dívida líquida externa era de 9.625 milhões de euros o que correspondia a 10,4% do PIB. Em 2009, a nossa dívida líquida externa é de 182.678 milhões de euros que corresponde a 111,7% do PIB. Este aumento brutal, este descontrolo, reflecte uma total irresponsabilidade das nossas elites políticas. Nos últimos cinco anos apenas, por outro lado, a nossa dívida pública directa aumentou 54,73%, cerca de 44.480 milhões de euros. Contudo, se considerarmos o endividamento das empresas públicas não financeiras, as parcerias público privadas e as concessões, haverá que acrescentar àquele valor mais 56.280 milhões de euros.
É o completo descalabro das contas públicas. Compreende-se assim o desnorte que têm demonstrado nestes últimos dias, Sócrates, Teixeira dos Santos e todo o governo.
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