segunda-feira, outubro 11, 2010

Os “mercados” e a Dívida Pública


O XIII governo constitucional tomou posse a 28 de Outubro de 1995. José Sócrates ocupava o cargo de secretário de Estado Adjunto do ministro do Ambiente neste primeiro governo de Guterres.
Um governo que prometia muito e que conquistou o voto popular mercê de uma campanha massiva nos órgãos de comunicação social que conseguiu e não mais deixou desde então de dominar.
Um governo com condições económicas extraordinariamente favoráveis se comparadas com o panorama actual. Em 1996 a Dívida Externa Líquida não excedia os 10,4% do PIB (em euros, 9.400 milhões de euros). Hoje a Dívida Externa Líquida ultrapassou os 112% do PIB (2009, em euros 183.223 milhões de euros).
De 1996 a 2009 o aumento em euros foi assim de cerca de 2.000%. E não se pense que estes brutais aumentos são consequência da crise financeira mundial; já em 2007, antes de eclodir a crise, esta dívida ascendia a 92,4% do PIB.
Quanto à Dívida Pública, o quadro não é muito diferente. Contudo o seu agravamento descontrolado verificou-se apenas com a governação Sócrates. Em 2004, a Dívida Pública Directa correspondia a 58,3% do PIB (em 1996 era de 59,9% do PIB). Em 2010, a Dívida Pública Directa ronda os 91% do PIB. Considerando contudo, o endividamento das empresas públicas e as dívidas assumidas nas parcerias público privadas, o valor da dívida Pública sobe para os 125% do PIB. É um agravamento brutal e que coloca em causa qualquer pretensão de desenvolvimento económico do país. Com uma agravante mais – se em 1996 os residentes detinham 75% e os não residentes 25% da dívida pública portuguesa, em 2008, os residentes detêm apenas 22% e os não residentes 78%.

São estes “não residentes” que tanta preocupação aparentemente tem causado nos últimos tempos ao governo. Governo que se desmultiplica em apelos de “bom senso” a todos os que não se conformam com as medidas de aumento de impostos, redução de salários e cortes sociais que aplicou, talvez para compensar o bom senso que não teve ao colocar em mãos de estrangeiros a dívida pública nacional. E não é só o governo. Todos os “homens do sistema”, políticos, comentadores, banqueiros exigem a aprovação do orçamento proposto pelo governo, o mesmo é dizer que todos eles querem, quanto antes, a aplicação das medidas de austeridade nele contidas. Tudo isto porque os “mercados”, essa entidade nebulosa e longínqua, se encontra “nervosa” e será bom, assim o ameaçam, que lhe façamos a vontade sob pena de uma grande desgraça cair sobre o país.
Portugal encontra-se assim nas mãos dos “mercados”; o bem ou o mal-estar dos portugueses é assim ditado pelo seu bom ou mau humor ao que nos dizem. Triste país que se deixou colocar em tão miserável posição. E tudo aconteceu com a maior rapidez. De um dia para o outro, os portugueses acordaram com a corda na garganta. Em 2004, há seis anos apenas, a Dívida Pública Portuguesa tinha um valor abaixo da média europeia de 58,3% do PIB. Hoje, a dívida total atingiu o valor astronómico de 125% do PIB. Em apenas 6 anos, seis anos de governação Sócrates, o Estado endividou-se em cerca de 117.000 milhões de euros.

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terça-feira, maio 25, 2010

eles e nós


Não responsabilizem os cidadãos, não responsabilizem os portugueses pelo estado miserável a que chegaram as contas nacionais. Não nos digam que estamos a viver acima das nossas possibilidades. A média mensal dos salários dos portugueses é a mais baixa da EU a 15, cerca de 850 euros ficando a Grécia, país que nos segue nos mais baixos salários, mas já muito distante de nós, com 1.300 euros.
É certo que a despesa pública primária é relativamente elevada, mas atenção, não são os portugueses, a generalidade dos cidadãos que colhe os benefícios desta despesa pública elevada. Já demonstrámos como este dinheiros públicos são usurpados por uma classe política que os desbarata em seu proveito pessoal, protegida pelo sistema corrupto institucional que tão bem soube urdir ao longo dos últimos anos. Se a despesa pública é elevada não é porque os portugueses usufruam dos benefícios que uma tal despesa faria supor. Hoje suportamos um esforço fiscal superior (em valores relativos) aos de uma Suécia mas estamos a anos-luz dos apoios sociais que este país proporciona aos seus cidadãos.
Portanto, não sejam cínicos ao ponto de atribuir às vítimas o papel de carrascos. Conhecemos os vossos métodos. Manipulando os meios de comunicação social ides procurar manter os vossos privilégios lançando apelos “patrióticos” e tentando forçar os cidadãos a aceitar mais sacrifícios, unidos, num único bloco central de interesses de classe oligárquica.
Em 1996, a nossa dívida líquida externa era de 9.625 milhões de euros o que correspondia a 10,4% do PIB. Em 2009, a nossa dívida líquida externa é de 182.678 milhões de euros que corresponde a 111,7% do PIB. Este aumento brutal, este descontrolo, reflecte uma total irresponsabilidade das nossas elites políticas. Nos últimos cinco anos apenas, por outro lado, a nossa dívida pública directa aumentou 54,73%, cerca de 44.480 milhões de euros. Contudo, se considerarmos o endividamento das empresas públicas não financeiras, as parcerias público privadas e as concessões, haverá que acrescentar àquele valor mais 56.280 milhões de euros.
É o completo descalabro das contas públicas. Compreende-se assim o desnorte que têm demonstrado nestes últimos dias, Sócrates, Teixeira dos Santos e todo o governo.

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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Dívida Pública e Dívida Externa

O aumento da Dívida Pública do País tem um rosto: – Sócrates e o seu governo socialista.
De 2005 a 2010 a dívida pública passou de 91 mil milhões de euros para 147 mil milhões de euros. Um aumento de 56 mil milhões de euros. Em termos de percentagem do PIB, representava 59% em 2004, passando para 79% do PIB em 2009, prevendo-se que vá atingir cerca de 88% do PIB em 2010.
Mas haverá que acrescentar a esta Dívida Pública Directa, a dívida das empresas públicas (30 mil milhões de euros) e das parcerias público privadas (26 mil milhões de euros) no que resulta uma Dívida Pública total de 203 mil milhões, cerca de 122% do PIB em 2010.
O colapso das contas públicas aproxima-se pelo que não será de estranhar que Sócrates, a qualquer pretexto, queira abandonar o barco e o pântano em que nos mergulhou.


O aumento da Dívida Externa do País tem um rosto: – Sócrates e o seu governo socialista.
De 2004 a 2009, o valor do PIB cresceu 13,6%, enquanto a Dívida Externa Líquida aumentou 78,6%. Em milhões de euros, o PIB cresceu 19.608 milhões de euros, enquanto a dívida aumentou 72.484 milhões de euros. Assim, de 2004 a 2009, a dívida externa líquida do Pais passou de 64% do PIB para 100,6% do PIB. É um crescimento insustentável.

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