sexta-feira, junho 24, 2011

Comissários do capital financeiro

O papel dos governantes europeus actuais não é, como seria normal e desejável, atenuar as desigualdades sociais, proteger a sociedade dos ataques indiscriminados dos especuladores financeiros, o mesmo é dizer, do capital financeiro, dos mercados, mas ao contrário, consiste em convencer a população a aceitar pacificamente a miséria a que a querem sujeitar.
Desde 1980 que duplicou a riqueza no mundo. Na Alemanha, de 2000 a 2008, a riqueza produzida aumentou 30%, enquanto a massa salarial apenas aumentou 8%. Os países industrializados apresentam este mesmo padrão. O aumento da riqueza não corresponde em igual proporcionalidade aos rendimentos auferidos pela população, quer em salários, quer em quaisquer outros benefícios sociais. Os rendimentos provenientes do aumento da produtividade, os rendimentos provenientes do aumento da riqueza produzida, estão a ser canalizados para os mais ricos.
Será muito difícil convencer os cidadãos da bondade das novas radicais medidas neoliberais que se querem impor nos PIGS em especial na Grécia e em Portugal. Será muito difícil convencer a população a trabalhar para que 10% da população que acumula 90% da riqueza, se converta em 9% acumulando 91%.
A conversão massiva ao mercado e à globalização neoliberal, a renúncia à defesa dos pobres, do Estado de bem-estar e do sector público, a nova aliança com o capital financeiro e a banca, despojaram a social-democracia europeia dos principais traços de sua identidade. A cada dia fica mais difícil para os cidadãos distinguir entre uma política de direita e outra “de esquerda”, já que ambas respondem às exigências dos senhores financeiros do mundo. Daí o cansaço popular. E a indignação. O repúdio da falsa alternativa eleitoral entre os dois principais programas, na verdade gémeos. Daí os protestos nas praças: “Nossos sonhos não cabem em vossas urnas”. O despertar. O fim da inacção e da indiferença. E essa exigência central”: “O povo quer o fim do sistema”.

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segunda-feira, junho 20, 2011

La crisis de la deuda de Europa, en la encrucijada
Kenneth Rogoff, Project Syndicate

Europa se encuentra en una crisis constitucional. Nadie parece tener el poder de imponer una resolución razonable a la crisis de la deuda de sus países periféricos. En lugar de reestructurar la carga de deuda manifiestamente insostenible de Portugal, Irlanda y Grecia (los llamados países PIG, por sus iniciales), los políticos y legisladores están presionando para que se adopten paquetes de rescate cada vez más grandes con condiciones de austeridad cada vez menos realistas. Por desgracia, no están solo "pateando" el problema para más adelante, sino empujando una bola de nieve montaña abajo.
Es cierto que, de momento, el problema sigue siendo económicamente manejable. El crecimiento de la eurozona es respetable, y los PIG representan solo el 6% de su PIB. Pero al argumentar obstinadamente que estos países se enfrentan a una crisis de liquidez, en lugar de un problema de solvencia, los funcionarios del euro están poniendo en riesgo todo el sistema. Importantes economías de la eurozona, como España e Italia, padecen grandes problemas de endeudamiento, especialmente si se tiene en cuenta su crecimiento anémico y una manifiesta falta de competitividad. Lo último que necesitan es que se haga creer a la gente que ya hay en marcha una unión implícita de transferencias y que las reformas y la reestructuración económica pueden esperar.
(Ler mais em Project Syndicate)

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sexta-feira, maio 21, 2010

"ataque especulativo”


Queixa-se o governo das dificuldades de financiamento porque o País atravessa, adiantando que tal se deve ao “ataque especulativo dos mercados”. Como se os montantes da Dívida Pública, da Dívida Externa Líquida, da Dívida Externa Bruta, não alcançassem em tão curto período números tão elevados que mais parecem ter fugido a qualquer controlo (a dívida pública subiu de 2004 a 2009, em 44.480 milhões de euros; a dívida externa líquida no mesmo período aumentou de 72.484 milhões de euros; a dívida externa bruta aumentou em igual período em 129.761 milhões de euros (atingindo o valor astronómico de 487.675 milhões de euros). Por outro lado, o crescimento económico do País tem vindo a decrescer de modo acentuado, em média, de 2004 a 2009, a taxa de crescimento económico não foi além de 0,5% ao ano, enquanto o défice orçamental naquele mesmo período atingiu, em cada ano e em média, o valor de 4,6% do PIB (muito acima do mínimo desejável e aceite por Bruxelas de 3,0%).
Emprestar hoje dinheiro a Portugal tornou-se na verdade num grande risco. Com um crescimento económico a decrescer todos os anos, com défices públicos elevadíssimos e com dívidas pública e externa brutais e em descontrolo, torna-se natural que o preço dos credit default swaps se torne cada vez mais alto e os juros dos títulos de dívida pública igualmente cada vez mais altos. É o mercado a funcionar e a pesar os riscos de compra destes produtos financeiros.
Esta, uma situação que se irá agravar seguramente devido à deterioração da situação económica do País como consequência inevitável das medida de austeridade agora impostas pelo PS e o pelo PSD. Com as medidas de política económica propostas pelo PS e pelo PSD, em tudo semelhantes, Portugal seguirá inevitavelmente o seu trajecto rumo ao abismo e à bancarrota. E não haverá Sarcozy ou Merkel que o salve. Voltará o franco e o marco deixando o euro para os pigs, ou então, muito simplesmente, correm com eles do euro.

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