sábado, abril 16, 2011

Por um fio


Os portugueses, como muitos outros povos por essa Europa fora, não foram chamados a decidir em eleições democráticas, a opção da entrada do país na União Europeia. Em Democracia o povo manifesta a sua soberania, a sua vontade, em referendo e em eleições. As decisões que afectam profundamente a vida e o modo de viver dos cidadãos, em Democracia, exigem por maioria de razão que tais opções sejam referendadas em eleições. À revelia dos povos, agindo antidemocraticamente, as elites nacionais - a classe política, os gestores das grandes empresas e das instituições financeiras, em conluio determinaram, nas costas do povo e desprezando as mais elementares regras democráticas (que sempre apregoam defender, sempre que lhes convém naturalmente), foram céleres em colocar o país na UE. Venderam a ideia de que tal constituía uma coisa boa para o país. Mas negaram aos cidadãos o elementar direito de decisão sobre os tratados constitucionais da UE.

Não existiu a mínima preocupação em analisar as consequências gravosas que uma economia tecnologicamente atrasada inevitavelmente sofreria coma a adesão à UE. Pensaram apenas nos seus interesses egoístas mas não nos interesses daqueles portugueses que trabalham por conta de outrem ou que em “trabalho precário” são pagos a recibos verdes, dos idosos com reformas miseráveis ou mesmo dos pequenos e médios industriais que se viram obrigados a abandonar os seus negócios mercê de uma concorrência implacável ou dos pequenos agricultores e pescadores que viram o país inundado de produtos a baixo preço e de má qualidade vindos do fim do mundo. Os tratados de total liberdade global dos mercados económicos assinados pela UE não tiveram a mínima preocupação com os prejuízos económicos catastróficos e suicidas que resultariam para os países economicamente mais débeis como Portugal. A “crise internacional” veio apenas a emergir mais precipitadamente a “crise” económica, orçamental e financeira do país, agravada pelos gastos de uma administração pública que, ano a ano, se tornou mais irracional e “adaptada” aos grandes negócios, à corrupção institucional que consome por ano cerca de 10% do PIB. E, enquanto os portugueses não se libertarem deste pesadíssimo fardo jamais conseguirão sair do abismo em que os mergulharam.

Mais que uma greve às eleições o que os portugueses precisam é de correr com esta classe política incompetente e corrupta. Depois, pensar seriamente na saída do euro. Naturalmente com a mesma paridade com que entrou, 1 euro por 200,482 escudos. Desvalorizar então o escudo (o que traduz uma efectiva redução da dívida pública) integrar o Instituto de Gestão do Crédito Público no Banco de Portugal, entidade emissora de moeda e dívida.

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sexta-feira, dezembro 03, 2010

a economia e as pessoas


A economia só faz sentido se for usada para atender as necessidades humanas.
O crescimento económico permanente é impossível. Há espaço para certa irracionalidade económica, em lugar de se pensar que todas as decisões são pautadas, exclusivamente, pela mais pura racionalidade. O eixo central da economia não pode ser estritamente o mercado e o objecto a mercadoria mas, sim, o indivíduo e suas necessidades elementares.
O ritmo económico actual baseado na exploração desenfreada de recursos naturais e no super-consumo é insustentável. A práxis económica deve ser buscada no sentido de ser solidária, participativa e colectiva, trocando, assim, o actual modelo económico baseado na competição pelo de cooperação. O objectivo primordial da actividade económica não deve ser a produção de riqueza, mas, sim, o bem-estar das pessoas.
Todas essas afirmações, sem excepção, sopram em ventos contrários à ortodoxia económica. Tais argumentos ferem uma espécie de pensamento único que tem dominado, sobremaneira, o cenário académico das ciências económicas.
Marcus Eduardo de Oliveira

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segunda-feira, dezembro 03, 2007

ESTAMOS NO PÂNTANO

Em Outubro o desemprego, em termos homólogos, baixa para 7,2% na Zona Euro e estabiliza a 7% na EU(27).
Em Portugal, o desemprego sobe de 7,8% para 8,5%.

Ninguém se iluda. Estamos na verdade a enterrarmo-nos no pântano. A política que vem sendo seguida pelo governo é absolutamente contrária ao desenvolvimento económico. As “reformas”ensaiadas, tão elogiadas pelos “fazedores de opinião” na comunicação social e pela generalidade da classe politica, são pseudo reformas, desajustadas e mais prejudiciais do que benéficas ao desenvolvimento económico e social do País. Avizinham-se dias mais difíceis ainda, porque a lógica da política económica deste governo a isso conduz. Os dados sobre o desemprego hoje divulgados pelo Eurostat são a demonstração inequívoca do desastre que se abateu sobre os portugueses. Lamentável é que os nossos mais que cretinos e idiotas “fazedores de opinião” já arquitectaram justificações para o facto. Segundo eles esta aceleração do desemprego resulta das “reformas” e da “adaptação” da nossa economia (constituída em 99% por pequenas e médias empresas), aos novos “desafios” da globalização. Com tais justificações estes pulhas fazem acreditar o pacato cidadão que esta desgraça é inevitável. Não referem as causas verdadeiramente responsáveis por este descalabro, os aumentos de impostos (IVA sobretudo), os custos de produção das empresas, exorbitantes quando comparados com o resto da Europa, auto-estradas caríssimas, custos das telecomunicações, da energia, do crédito bancário, dos combustíveis e de outros serviços prestados pelos monopólios (que contrastam com os super lucros que vêm obtendo), indispensáveis à vivência das empresas ou ainda por uma Justiça inoperacional que igualmente afecta a vida económica nacional. O País afunda-se inexoravelmente e cada vez mais, neste pântano socialista, fruto das políticas irresponsáveis deste arrogante, ignorante e incompetentíssimo governo.


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