terça-feira, abril 10, 2012

O fim do euro?

Ao que parece, os esperados objectivos de diminuição da pressão sobre os juros da dívida e criação de crédito às empresas, da extraordinária “prenda de Natal” que o BCE ofertou à banca europeia em 21 de Dezembro passado, de 529.531 milhões de euros a 523 bancos a juros de 1% a três anos, acrescentando a 29 de Fevereiro uma nova oferta de 489.200 milhões a 800 bancos, com iguais tão apetecíveis condições, por incrível que possa parecer, ter-se-ão já esfumado.
Na verdade, os juros da dívida pública europeia, continuando as subidas da passada semana, subiram hoje desabridamente, chegando os juros da dívida a 10 anos, da Espanha, aos 6%. É um valor insuportável, que faz prever o pior dos cenários.
O que é espantoso, é que uma intervenção de mais de um bilião de euros do BCE, pouca ou nenhuma significativa influencia tenha tido na escalada das dívidas, apenas a atrasando por alguns dias.
O pior dos cenários aproxima-se. A hecatombe do euro está próxima.

Marcadores: , ,

sexta-feira, abril 06, 2012

A espiral da morte


Muito longe de terminar, a crise europeia está ainda na sua fase inicial, aprofundando-se, ampliando-se e agravando-se a cada dia que passa. ¿Quanto durou o efeito do BCE com o brinde de um bilião de euros à banca? Nem quinze dias. A “prima de risco” não deixou de aumentar e ontem chegou aos 410 pontos, enquanto os juros da dívida subiram a 5,8% (Espanha), o nível mais alto desde Novembro, antes mesmo da aplicação dos planos de Mario Daghi.
E, nesta desgraça Espanha não está só. Ontem também aumentou a “prima de risco” de Itália, França, Grécia e Portugal, entre outros. A de França escalou a 123 pontos, de Itália a 378, a de Portugal a 1.050 e a de Grécia a 2.040 pontos, dando mostras de una situação insustentável e da obscura década que aguarda os países encaixotados no euro. Porque no fim de contas é o euro o grande problema destes países ante a impossibilidade de desvalorização das suas moedas. Isto levou a Espanha a ingressar na espiral da morte, esse círculo autodestrutivo que provoca a recessão e a austeridade.
(Ler em Blog Salmón)

Marcadores: ,

terça-feira, fevereiro 07, 2012

custe o que custar



Passos Coelho mentiu em campanha eleitoral. Do ”disparate” em que consistia o retirar dos subsídios de Natal e Férias, segundo as suas palavras, passámos agora, quando imagina encontrar-se solidamente instalado no governo, ao “custe o que custar”. E neste curto percurso vem ao de cima sobretudo o seu distorcido e mau carácter, não apenas pela apologia de políticas contrárias a tudo o que prometeu em campanha, mas também por mais um logro em que quer fazer embarcar os portugueses. Com uma dívida pública já superior a 110% do PIB, quando em 2007 rondava os 68%; com uma taxa de desemprego em 13,6% quando em 2007 se situava em 8%; com uma recessão de 3% quando em 2007 tínhamos um crescimento de 1,9%; com um pagamento em 2012, só de juros da dívida pública, de uma despesa equivalente a 5,5% do PIB, quando em 2007 era apenas de 2,8%; com as medidas de austeridade impostas que provocam inequivocamente mais recessão; com uma crise de crédito às pequenas e médias empresas sem o lançamento de quaisquer medidas de apoio; quando a União Europeia não consegue inverter ou sequer estancar a crise do euro, agravando-se pelo contrário todos os índices económicos europeus; assim, prometer que o país volta aos mercados em 2013, é seguramente uma tremenda falsidade. Passos Coelho propagandeia e tenta fazer cair os portugueses em mais este tremendo logro.
Do “custe o que custar” à “pieguice”, discurso com que mimoseia os portugueses, Passos Coelho está rapidamente a transformar-se num desabrido e perigoso lunático.

Marcadores: ,

sexta-feira, novembro 18, 2011

Os bancos europeus atacam a zona euro

O pior cenário está prestes a ocorrer: os bancos europeus estão a livrar-se à força da dívida soberana dos países da zona euro considerados “em perigo”, arriscando-se a precipitar a moeda única no abismo. Este movimento, que começou no final de julho, acelera-se e atinge agora a dívida da França, que já não é considerada um ativo totalmente seguro.
Assim, o BNP-Paribas reduziu a sua exposição às dívidas da zona euro em perto de 21%, desfazendo-se de 10 mil milhões de euros durante o último trimestre, dos quais 8,3 mil milhões de dívidas italianas. O Crédit Agricole foi um pouco mais longe, diminuindo a sua exposição em 27%: num mês, vendeu mais de mil milhões de bónus do tesouro italiano e 850 milhões de dívidas espanholas. Desde o dia 1 de julho, o banco fez passar a sua exposição de 10,717 mil milhões nos cinco países periféricos para 7,285 mil milhões. Da mesma forma, o Societé Générale vendeu 650 milhões de dívidas italianas, 400 milhões de dívidas espanholas, etc.
Este salve-se quem puder generalizado foi lançado pelos bancos alemães. Assim, o Deutsche Bank, no fim do mês de julho, livrou-se de 8 mil milhões de dívidas italianas, o que desencadeou a descida aos infernos da península. Porque este movimento auto alimenta-se: cada venda no mercado secundário faz baixar o valor das obrigações do Estado (e portanto aumentar as taxas de juros). O que empurra os outros atores dos mercados a segui-los. E, de aproximação em aproximação, cresce o pânico, todos a quererem desembaraçar-se de ativos considerados frágeis, mesmo que isso seja totalmente irracional.
O pior é que esta desconfiança em relação à zona euro é alimentada no essencial por atores do mercado europeu, bancos, seguradoras, fundos de pensão, etc., e não por estabelecimentos não-europeus.
Jean Quatremer (ler texto completo aqui)

Marcadores: ,

segunda-feira, novembro 14, 2011

A quem serve o euro?


Na verdade não se trata de salvar o povo, senão de salvar o euro, como se isto fosse equivalente. Porquê tanto interesse? E de quem? Porque dez dos vinte e sete membros da UE vivem sem euro e algumas das suas economias (Reino Unido, Suécia, Polónia) são muito mais sólidas que a média da União. Defender o euro até ao último grego é a primeira linha de defesa para una moeda que está condenada porque expressa economias divergentes e não tem um estado que a proteja.
A defesa franco-germana do euro tem outras explicações par além da historia de terror que nos contam sobre a catástrofe financeira que isso implicaria com efeitos devastadores no nosso quotidiano como se a vida dependesse da bolsa. A primeira razão é óbvia: salvar os bancos, sobretudo os alemães e franceses.
Ou seja, trata-se de salvar a uns bancos concretos e, em termos mais amplos, evitar uma nova crise do sistema financeiro. Se quebram países para não quebrar bancos. Mas porque se faz assim? Ao fim e ao cabo, os Merkozy não são empregados da banca!
É a Alemanha quem realmente necessita que o euro seja a moeda europeia e que os seus sócios não a possam desvalorizar. Porque o modelo de crescimento alemão é em realidade o chinês: crescer mediante exportações favorecidas por uma moeda subvalorizada e redução de salários (redução de 2% em termos reais no último quinquénio). Se houvesse um euro-marco forte, a Alemanha perderia mercados na Europa e competitividade relativamente às exportações espanholas e italianas.
Manuel Castells, sociólogo internacionalmente reconhecido, é catedrático de sociologia na UOC de Barcelona.

Marcadores:

sábado, abril 16, 2011

Por um fio


Os portugueses, como muitos outros povos por essa Europa fora, não foram chamados a decidir em eleições democráticas, a opção da entrada do país na União Europeia. Em Democracia o povo manifesta a sua soberania, a sua vontade, em referendo e em eleições. As decisões que afectam profundamente a vida e o modo de viver dos cidadãos, em Democracia, exigem por maioria de razão que tais opções sejam referendadas em eleições. À revelia dos povos, agindo antidemocraticamente, as elites nacionais - a classe política, os gestores das grandes empresas e das instituições financeiras, em conluio determinaram, nas costas do povo e desprezando as mais elementares regras democráticas (que sempre apregoam defender, sempre que lhes convém naturalmente), foram céleres em colocar o país na UE. Venderam a ideia de que tal constituía uma coisa boa para o país. Mas negaram aos cidadãos o elementar direito de decisão sobre os tratados constitucionais da UE.

Não existiu a mínima preocupação em analisar as consequências gravosas que uma economia tecnologicamente atrasada inevitavelmente sofreria coma a adesão à UE. Pensaram apenas nos seus interesses egoístas mas não nos interesses daqueles portugueses que trabalham por conta de outrem ou que em “trabalho precário” são pagos a recibos verdes, dos idosos com reformas miseráveis ou mesmo dos pequenos e médios industriais que se viram obrigados a abandonar os seus negócios mercê de uma concorrência implacável ou dos pequenos agricultores e pescadores que viram o país inundado de produtos a baixo preço e de má qualidade vindos do fim do mundo. Os tratados de total liberdade global dos mercados económicos assinados pela UE não tiveram a mínima preocupação com os prejuízos económicos catastróficos e suicidas que resultariam para os países economicamente mais débeis como Portugal. A “crise internacional” veio apenas a emergir mais precipitadamente a “crise” económica, orçamental e financeira do país, agravada pelos gastos de uma administração pública que, ano a ano, se tornou mais irracional e “adaptada” aos grandes negócios, à corrupção institucional que consome por ano cerca de 10% do PIB. E, enquanto os portugueses não se libertarem deste pesadíssimo fardo jamais conseguirão sair do abismo em que os mergulharam.

Mais que uma greve às eleições o que os portugueses precisam é de correr com esta classe política incompetente e corrupta. Depois, pensar seriamente na saída do euro. Naturalmente com a mesma paridade com que entrou, 1 euro por 200,482 escudos. Desvalorizar então o escudo (o que traduz uma efectiva redução da dívida pública) integrar o Instituto de Gestão do Crédito Público no Banco de Portugal, entidade emissora de moeda e dívida.

Marcadores: , ,

domingo, dezembro 19, 2010

Quem especula contra o euro?


Em post anterior desvendámos um pouco do que se esconde por detrás dessas entidades estranhas e distantes, os chamados - “mercados financeiros”, como com ligeireza são apresentadas pelos média. Queixam-se os governos da EU da especulação de que são vítimas pelos ditos “mercados financeiros”. Os juros das suas dívidas soberanas, fruto dessa especulação, estão a alcançar valores insuportáveis, o que ameaça o próprio euro, a própria união monetária europeia.
Mas afinal, quem especula contra o euro?
Cruzando dados do Eurostat e do Banco Mundial chegamos a conclusões curiosas.
De 2008 a 2010, Portugal endividou-se em 23,5% do PIB (apenas de dívida pública), passou de 66,5% para 91%. Endividou-se em 1,3% com residentes no país e em 98,7% com não residentes. Mas, destes não residentes que compraram dívida portuguesa, 73,0% são europeus. Cinco países somente, a Alemanha, França, Inglaterra, Itália e a Holanda, só estes cinco países, compraram desde 2008, 54,1% da dívida portuguesa. Constata-se assim, que são os europeus que especulam os europeus (!). De outro modo, é o euro que especula contra o euro.
Difícil de entender? Talvez nem tanto. Desde que se compreenda que o euro constitui apenas um instrumento dos “mercados financeiros”. E, que acima do euro, se encontram os rendimentos, as ganâncias das Instituições financeiras europeias.

Marcadores: , ,