O pior cenário está prestes a ocorrer: os bancos europeus estão a livrar-se à força da dívida soberana dos países da zona euro considerados “em perigo”, arriscando-se a precipitar a moeda única no abismo. Este movimento, que começou no final de julho, acelera-se e atinge agora a dívida da França, que já não é considerada um ativo totalmente seguro.
Assim, o BNP-Paribas reduziu a sua exposição às dívidas da zona euro em perto de 21%, desfazendo-se de 10 mil milhões de euros durante o último trimestre, dos quais 8,3 mil milhões de dívidas italianas. O Crédit Agricole foi um pouco mais longe, diminuindo a sua exposição em 27%: num mês, vendeu mais de mil milhões de bónus do tesouro italiano e 850 milhões de dívidas espanholas. Desde o dia 1 de julho, o banco fez passar a sua exposição de 10,717 mil milhões nos cinco países periféricos para 7,285 mil milhões. Da mesma forma, o Societé Générale vendeu 650 milhões de dívidas italianas, 400 milhões de dívidas espanholas, etc.
Este salve-se quem puder generalizado foi lançado pelos bancos alemães. Assim, o Deutsche Bank, no fim do mês de julho, livrou-se de 8 mil milhões de dívidas italianas, o que desencadeou a descida aos infernos da península. Porque este movimento auto alimenta-se: cada venda no mercado secundário faz baixar o valor das obrigações do Estado (e portanto aumentar as taxas de juros). O que empurra os outros atores dos mercados a segui-los. E, de aproximação em aproximação, cresce o pânico, todos a quererem desembaraçar-se de ativos considerados frágeis, mesmo que isso seja totalmente irracional.
O pior é que esta desconfiança em relação à zona euro é alimentada no essencial por atores do mercado europeu, bancos, seguradoras, fundos de pensão, etc., e não por estabelecimentos não-europeus.
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